24/09/2026 | 15h07

Magda cita exemplo da Colômbia para justificar compra de gás de sócios

Foto: Agência Petrobras

Gabriel Vasconcelos e Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, voltou a fazer críticas ao programa de desconcentração do mercado de gás natural, o Gas Release, desta vez durante a ROG 2026 (Rio Oil & Gás 2026), que acontece esta semana no Rio de Janeiro.

Magda usou o exemplo do projeto de gás Syrius, de Petrobras e Ecopetrol, na Colômbia, para argumentar que a compra dos volumes de gás de terceiros na boca do poço é prática comum em todo o mundo que serve para viabilizar projetos. Na Colômbia, a empresa local já teria garantido a compra dos volumes da Petrobras, assim como a empresa brasileira faz com suas sócias estrangeiras no Brasil.

“O pessoal diz que a Petrobras é muito gulosa. A Ecopetrol garantiu à Petrobras a compra do gás no mar da Colômbia para viabilizar o negócio. Não estamos inventando nada. As parceiras estatais, locais, ajudam os parceiros a viabilizar o negócio, comprando esse gás”, disse Magda.

Ela também citou exemplos brasileiros, em que é a Petrobras que garante a compra dos volumes dos sócios.

“Quando a gente fez o projeto de SEAP, tínhamos um projeto metade óleo e metade gás. E, para viabilizar esse projeto, garantimos às empresas indianas que iríamos comprar o gás deles. Para viabilizar o projeto de Raia, garantimos que compraríamos o gás da Equinor para botar no mercado”, disse.

Ela tocou no assunto duas vezes durante explanação a uma plateia de executivos do setor e, depois, voltou no assunto quando falava a jornalistas.

A proposta de Gas Release da área técnica da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em consulta pública, preserva o gás próprio da Petrobras, mas veta a compra, na boca do poço, dos volumes de empresas que são suas sócias nos projetos, além de tirar da Petrobras a prerrogativa de importar.

Caso aprovado, o programa prevê leilões compulsórios dos volumes obtidos por esses meios diretamente ao mercado em termos definidos pela ANP. Executivos da Petrobras tem se colocado publicamente contra a medida e a companhia tem agido nos bastidores do governo para evitá-la.

No momento de crítica mais aguda, Magda disse que o gás sofre do “efeito Tostines” (não teria investimento porque não tem mercado e não teria mercado por não ter investimento) e disse que “não tem papel e lápis, resolução ou decreto” que resolva isso.

“É questão de atendimento ao mercado e é assim que funciona, não só no Brasil, mas no mundo todo”, disse. Ela tem repetido o argumento de que não é mudando o gás de mão que o preço vai cair, mas sim aumentando a oferta por meio de grandes projetos liderados pela própria Petrobras.

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