Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA*
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) monta uma operação especial para garantir o pleno atendimento elétrico com segurança nas eleições deste ano, no próximo domingo (4) e no dia 25 de outubro, datas do primeiro e segundo turnos. Entre as medidas a serem adotadas, estão o aumento do nível de segurança operativa de linhas de transmissão estratégicas para o país, geração térmica adicional e a adoção de regime de sobreaviso pelas empresas visando assegurar prontidão no atendimento.
Na última semana, o operador enviou ofício a todos os agentes informando as ações a serem adotadas. À Agência iNFRA, o diretor-geral do ONS, Márcio Rea, afirmou que o objetivo é garantir que o fornecimento de energia ocorra com estabilidade e segurança durante todo o processo de votação, preservando a confiabilidade do SIN (Sistema Interligado Nacional).
“As eleições representam um momento de grande relevância para o país e demandam atenção especial de toda a infraestrutura essencial. Para esse período, o ONS elaborou um plano operacional específico, que contempla medidas adicionais de segurança, restrições a intervenções com potencial de impacto ao sistema e monitoramento intensificado das condições de operação”, disse Rea.
Uma das medidas estabelece que a linha entre as subestações Foz do Iguaçu (PR) e Tijuco Preto (SP), que escoa a energia gerada pela usina de Itaipu para o Sudeste, deverá atender ao critério de perda tripla, o chamado N-3, que permite que o sistema continue operando mesmo após a falha simultânea de três elementos. O objetivo é reduzir riscos de interrupção da transmissão vinda da hidrelétrica. Esse critério deverá ser observado ao longo de todo o domingo das eleições.
Já os linhões do Madeira (que escoam a energia das usinas de Santo Antônio e Jirau) e do Xingu (Belo Monte), que trazem para os centros de consumo a energia da região Norte, terão uma limitação na potência de operação para assegurar o desempenho do SIN em caso de perda dos ativos. No dia do primeiro turno, as duas linhas que transportam a energia de Belo Monte ficarão limitadas a 4 GW (gigawatts), enquanto as do Madeira, a 4,1 GW.
De acordo com o ofício do ONS, o intercâmbio de energia entre Norte, Nordeste e Sudeste também deverá ser limitado para que o sistema suporte eventuais perdas duplas nas interligações. A importação de energia do Uruguai e da Argentina também fica autorizada, se necessário.
Já obras e intervenções em instalações e equipamentos de transmissão e geração que possam acarretar risco de perda de carga ficarão proibidas a partir da 0h de sábado (3) até as 7h da segunda-feira (5), dia seguinte ao primeiro turno. Haverá exceção apenas para serviços considerados inadiáveis.
Sobreaviso
O ONS instruiu que agentes de geração, transmissão e distribuição devem manter equipes de operação e manutenção em regime de sobreaviso na véspera e no dia das eleições, visando “assegurar prontidão no atendimento a situações emergenciais e agilizar o restabelecimento das cargas e dos equipamentos críticos do sistema”.
Além disso, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) determinou, em ofício do último dia 18, que as distribuidoras elaborassem um plano especial para as eleições. O objetivo é minimizar eventuais interrupções no fornecimento de energia para locais como seções de votação e os tribunais eleitorais, onde ocorre a totalização dos votos.
“Eventuais intercorrências nesse período são de responsabilidade da empresa e serão fiscalizadas por esta agência”, diz o documento assinado pelo superintendente de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica, Giácomo Bassi. Possíveis manutenções programadas nas redes de distribuição para o dia também devem ser adiadas.
Térmicas adicionais
Em seu plano especial, o ONS prevê o despacho adicional de térmicas estratégicas em algumas regiões visando prevenir atuação de esquemas especiais de proteção, como o Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga), que corta blocos de energia quando há casos de queda de energia, visando evitar apagões generalizados.
Nas áreas de Manaus (AM), Macapá (AP) e Roraima, por exemplo, em caso de contingência, o documento estabelece que deverá ser despachada “toda a geração térmica disponível nessas áreas”, além de maximizar a geração das hidrelétricas de Balbina, Coaracy Nunes, Cachoeira Caldeirão, Ferreira Gomes e Santo Antônio do Jari.
Com o mesmo objetivo, deverá ser programado o despacho de 800 MW (megawatts) da Termorio, em Duque de Caxias (RJ). Já na região metropolitana de João Pessoa (PB), pode ser necessário o despacho das termelétricas Termonordeste e Termoparaíba.
Sistemas isolados
Para os agentes que atuam nos sistemas isolados, unidades que não estão conectadas ao SIN, a ANEEL solicitou atenção especial devido à baixa navegabilidade dos rios na região amazônica. A fim de mitigar o problema, a reguladora autorizou ainda a antecipação de recursos financeiros para armazenamento de combustível na região.
Assim, foi determinado que os agentes mantenham estoques sobressalentes de combustível e também necessários para consumo das usinas termelétricas. Também devem manter comunicação adequada entre geração e distribuição.
*Colaborou: Marisa Wanzeller





