Beatriz Kawai, da Agência iNFRA
A prefeitura de Porto Alegre (RS) vai contratar parceiros privados para obras de drenagem de águas pluviais numa carteira de R$ 4 bilhões em investimentos nos próximos anos. Fora os empreendimentos de drenagem, mais R$ 3 bilhões devem ser aplicados em obras civis e sociais, explicou o secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Porto Alegre, Cezar Schirmer, em entrevista à Agência iNFRA.
Os projetos serão contratados em pacotes, que devem variar entre R$ 80 milhões e R$ 150 milhões, a fim de gerar atratividade. O critério das licitações será uma combinação de preço e técnica. As contratações serão apenas para as obras; a gestão e a operação serão assumidas pela prefeitura.
“É um conjunto de obras e ações cujo valor nunca houve no salão de Porto Alegre em tão curto espaço de tempo”, destacou Schirmer. Os planos serão apresentados a grupos de investidores, empresas do setor, consultorias e instituições ligadas ao setor num roadshow nesta terça-feira (29), em São Paulo.
Na frente de drenagem, os projetos serão voltados à proteção contra cheias, com obras de macrodrenagem, microdrenagem, retificação de arroios, ampliação e reconstrução de casas de bombas e diques. O restante da carteira será composto por projetos de revitalização de hospitais, prontos-socorros, centros culturais e operações de assistência técnica.
Os projetos de drenagem na capital gaúcha ganham relevo importante especialmente devido às condições climáticas que têm feito municípios do Rio Grande do Sul enfrentarem diversos problemas ligados a enchentes. Em 2024, o nível do lago Guaíba atingiu o máximo histórico de 5,37 metros em Porto Alegre, afetando cerca de 2,4 milhões de pessoas em 478 municípios.
A carteira, chamada de POA Futura, têm recurso do Banco Mundial, do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), do alemão KfW, da AFD (Agência Francesa de Desenvolvimento) e do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe).
Como a carteira foi construída com apoio financeiro de bancos que cumprem com prazos internacionais rígidos, os desenhos precisam sair do papel nos próximos três a quatro anos – considerando o prazo de cinco anos para início da execução da maioria das obras a partir do contrato.





