Lais Carregosa e Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA
O presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia) e vice-presidente do Fase (Fórum das Associações do Setor Elétrico), Rodrigo Ferreira, avalia que os problemas que atingem o setor de comercialização – como pedidos de Recuperação Judicial – não são exclusivos do segmento. Em entrevista à Agência iNFRA, o executivo destacou que geradores, por exemplo, estão enfrentando dificuldades pelo “curtailment”, os cortes obrigatórios de geração, e que também há distribuidoras que passam por problemas econômico-financeiros.
“Problemas no mercado existem, em qualquer mercado. A gente viu aí muito recentemente uma geradora renovável quebrar. E com o curtailment, a depender da solução, a gente vai ver várias geradoras renováveis quebrarem, simplesmente porque investiram em um lugar que não precisa de energia”, pondera Rodrigo. “Entre outros aspectos, a distribuidora aqui no Rio de Janeiro está em recuperação judicial. A distribuidora de São Paulo é criticada dia sim, dia sim, na imprensa nacional pela qualidade do serviço que presta, sendo ameaçada de não ter renovada a sua concessão”.
Nos últimos dois anos, comercializadoras como Gold Energia, América e 2W Ecobank pediram recuperação judicial ou extrajudicial, com proteção contra credores. As empresas alegam que as oscilações no PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), usado como referência no mercado, as expuseram a riscos.
Rodrigo, no entanto, destaca que “quebrar ou ter lucros maravilhosos não é uma exclusividade” da comercialização. Ele pondera que, apesar dos problemas, o mercado está evoluindo e a Abraceel tem atraído novos associados considerados “grandes players no mercado”, como Santander, Bradesco, Light, Petrobras, Fibra Energy, dentre outros.
Melhorias no segmento
Rodrigo destaca que o segmento segue atrativo e sua segurança deve aumentar com os aprimoramentos normativos em discussão pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
As entidades estão implementando um monitoramento para aferir o nível de alavancagem do mercado. Atualmente, o monitoramento está no chamado “período sombra”, que pode ser considerado uma fase de teste, quando os agentes prestam informações, mas não há punição, explicou Rodrigo.
No início de novembro, a reguladora abriu uma CP (Consulta Pública) sobre a última fase do monitoramento prudencial, quando o compartilhamento de informações será obrigatório e as comercializadoras poderão ser penalizadas.
“A expectativa é que até o final do ano, no mais tardar no início do ano que vem, esse processo seja concluído e o monitoramento prudencial saia do período sombra e passe para o período efetivo”, disse Rodrigo.





