Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA
Uma primeira análise realizada por distribuidoras de energia encontrou 88 MW (megawatts) de potência de MMGD (Micro e Minigeração Distribuída) solar irregular, o que vem sendo chamado de “gato solar”. Foram realizadas 22,7 mil inspeções, sendo que em 59% delas foram encontradas irregularidades. Os dados constam de nota técnica da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) publicada na segunda-feira (22).
A reguladora abriu um processo de auditoria e penalização de agentes que tenham aumentado a potência das suas centrais geradoras sem comunicar às distribuidoras e à própria agência. Segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o volume de geração distribuída não declarado pode chegar a 14 GW (gigawatts), o que equivale a uma Itaipu.
Nesta primeira análise, foram recebidos dados de 19 concessionárias de distribuição que atendem a 43 milhões de unidades consumidoras, abrangendo os grupos CPFL, Energisa, Neoenergia e Cemig. “Esses resultados são decorrentes de ações iniciais das distribuidoras no que tange ao combate de GD à revelia, como pode ser observado pelo percentual de inspeções realizadas até o momento. Além disso, nem todas as distribuidoras dos respectivos grupos econômicos estão ainda atuando neste processo”, diz a nota técnica.
Os quatro grupos reportaram inicialmente mais de 70 mil unidades com suspeitas de irregularidades, mas só foram realizadas inspeções em 32% delas. Em 13,4 mil foi identificado o aumento da potência à revelia.
Segundo a nota técnica, a análise também verificou que quase a totalidade dos agentes já possuem processos estruturados de identificação e inspeção de aumento de geração à revelia. Os primeiros dados serão remetidos ao relator da consulta pública que trata do tema, o diretor Gentil Nogueira.





