11/05/2026 | 11h00

Com renovação, distribuidoras planejam aumentar resiliência das redes

Foto: Agência Brasil

Lais Carregosa, Marisa Wanzeller e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

Os grupos EDP, Light, Neoenergia, Energisa, CPFL e Equatorial anunciaram investimentos bilionários com a assinatura da renovação das concessões, na última sexta-feira (8). Parte dos valores deve ser destinada à modernização das redes – uma das premissas dos novos contratos. Em entrevista à Agência iNFRA, executivos das companhias destacaram a preparação para digitalização, adoção de novas modalidades tarifárias e melhoria na resiliência das redes.

O CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, destaca que aumentar a flexibilidade da rede é importante para garantir resiliência aos eventos climáticos extremos. Além da concessão de Pernambuco, que foi renovada ainda em 2025, a companhia assinou mais três contratos de prorrogação na última semana: Bahia (Coelba), Rio Grande do Norte (Cosern), São Paulo e Mato Grosso do Sul (Elektro). 

A Neoenergia anunciou R$ 50 bilhões em investimentos em suas concessões até 2030, incluindo a de Brasília, que não faz parte do pacote de renovação. De acordo com Capelastegui, esses valores vão permitir que as distribuidoras criem redes “malhadas”, ou seja, mais flexíveis.

“Hoje, você pode chegar ao cliente por uma rede. Mas, se você consegue chegar ao cliente por duas ou três redes, você tem flexibilidade. Se cai um galho aqui, você tem duas redes mais que podem atender ao cliente. Isso na Europa é muito normal. Você tem redes muito malhadas e o cliente basicamente nunca fica sem energia”, destacou.

O CEO da Light, Alexandre Nogueira, reforça que as iniciativas para aumentar a resiliência de rede estão dentro dos investimentos em modernização. “É preciso ter uma estrutura de rede compatível a cada cenário que você tenha [na concessão], buscando pensar com uma resiliência de ter o mínimo possível de interrupção, caso você tenha algum tipo de evento extremo”, declarou. 

A Light, que atua no Rio de Janeiro, também teve sua renovação assinada na sexta-feira passada. Isso permitirá, inclusive, que a empresa saia da recuperação judicial no próximo semestre, a partir do processo de capitalização da companhia, com a conversão de dívidas em participação acionária (equity, no jargão financeiro), explicou o CEO. 

Modernização
O presidente da EDP na América Latina, João Brito, conta que a digitalização e o reforço da resiliência de rede para eventos climáticos extremos são duas frentes de investimento da companhia na concessão em São Paulo, que anunciou R$ 5 bilhões entre 2026 e 2030.

“O novo contrato define muito claramente que a digitalização, em particular, é uma área que nós temos que investir. Ela é crítica para podermos oferecer novos modelos tarifários e acelerar até promover a liberalização do setor [para o mercado livre]”, destacou. A companhia também detém a concessão do Espírito Santo – a primeira de um pacote de 19 distribuidoras vincendas a ter o seu contrato renovado, em julho de 2025.

Já a Equatorial deve investir mais de R$ 17,7 bilhões nas concessões do Pará e Maranhão até 2030. Do total, 73% serão destinados à ampliação das redes nos dois estados, para garantir aumento da oferta e estabilidade, afirma a companhia. “O novo ciclo permite um investimento mais robusto em uma infraestrutura resiliente, mais preparada para eventos climáticos extremos”, disse em nota. 

Nas concessões da empresa, isso será traduzido em ampliação e modernização de 28 subestações no Pará e Maranhão e em novas linhas de distribuição. “Temos concentrado esforços em digitalização, monitoramento remoto e linhas inteligentes, que aprimoram a gestão de riscos, reduzem falhas e reforçam a confiabilidade da rede”, disse.

A CPFL, que renovou contratos no estado de São Paulo (CPFL Paulista e CPFL Piratininga) e no Rio Grande do Sul (CPFL RGE), anunciou R$ 23,6 bilhões em investimentos até 2030, dentro de um pacote total de R$ 31,1 bilhões. A companhia também atua no Paraná e em Minas Gerais. Em nota, o grupo ressalta que os valores serão aplicados na digitalização e automação da rede, também em prol de mais resiliência. O presidente da CPFL Energia afirmou que o novo ciclo permite a preparação “para os desafios climáticos e energéticos do futuro”. 

A presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Patrícia Audi, destaca que a expectativa é de R$ 130 bilhões em investimentos até 2030 com as 16 distribuidoras já renovadas pelo governo. “Mas o que significa isso para a vida dos cidadãos? Significa uma rede mais resistente, mais qualidade, mais digitalização nessa rede e principalmente a garantia de um atendimento com foco no cidadão. O decreto e os contratos preveem indicadores de qualidade que garantam que esse cidadão esteja sempre contemplado”, afirmou.

Tarifas diferenciadas
A adoção de tarifas diferenciadas também é um dos eixos dos novos contratos de concessão. No caso das perdas não técnicas, conhecidas como “gato”, há a possibilidade de se estabelecer uma tarifa reduzida para incentivar a regularização dos clientes.

Alexandre Nogueira, da Light, conta que os investimentos vultosos anunciados têm relação com o tratamento, em contrato, das áreas com restrições operativas – aquelas dominadas por grupos criminosos. “Isso só foi possível por conta desse tratamento distinto dessas áreas de restrição de operação, que aqui é uma característica que a Light tem e que no contrato anterior não tinha”, disse.

Ele conta ainda que a companhia está desenvolvendo um projeto experimental junto à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) com esse objetivo. “O sandbox busca testar basicamente o comportamento do consumidor dentro dessas áreas, como capacidade de pagamento e as suas ambições para se buscar ter uma regularidade em termos de consumo de energia elétrica”, disse.

Para a Equatorial, estruturas tarifárias modernas, como a sinalização de preços por horários ou por demanda, “permitem uma gestão mais eficiente da rede e incentivam o consumo consciente”. O grupo também tem projetos de sandboxes tarifários junto à ANEEL, nas concessões de Alagoas e Maranhão, para testar novas modalidades.

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