20/05/2026 | 21h23

El Niño: Ream se antecipa para distribuir diesel na seca

Foto: Domínio Público

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

Maior grupo de distribuição de combustíveis líquidos da região Norte, o grupo Atem, dono da Ream (Refinaria da Amazônia), prevê período seco mais intenso que o normal no fim do ano graças ao El Niño, e se prepara para adaptar a logística de entrega de diesel, gasolina e demais derivados de petróleo, feita em grande medida por meio de barcaças.

A informação é do diretor de trading da Ream, Rafael Valim, que falou a jornalistas nesta quarta-feira (20), na saída da Conferência Argus Rio Crude, no Rio de Janeiro.

Ele prevê que as dificuldades vão durar de setembro deste ano a janeiro de 2027, cinco meses. Em geral esse período crítico é menor. No ano passado, disse o executivo, durou dois meses. Nos últimos anos, o fenômeno inspirou preocupação no governo e na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

“Agora a gente está diante de um evento [El Niño] que pode ser considerado um ‘top 3’ na história do mundo, talvez um ‘top 1’. O impacto disso na Amazônia pode ser muito grande. No período seco há impacto especialmente no rio Madeira. Essa queda do [nível] do rio faz com que a gente tenha que posicionar cargas de diesel e gasolina em toda a região”, disse Valim.

Meteorologistas têm previsto um “Super El Niño” no segundo semestre, com forte repercussão em áreas tropicais e do hemisfério sul, o que pode levar a seca intensa no Norte do Brasil e alterações no regime de chuvas ao longo do território.

O executivo fez referência a dificuldades no transporte de cargas por balsas, o que exige o reforço de estoques em bases ou estruturas flutuantes da empresa, além de uma redução nos volumes transportados para tornar as embarcações mais leves para que flutuem e possam navegar com os níveis dos rios mais baixos.

“Estamos buscando antecipar um programa de suprimento e manter um estoque, no caso, flutuante. Porque tem muitos lugares em que a gente vai abastecer ao longo da Bacia Amazônica e eu preciso manter balsas para esse período. Normalmente a balsa só vai, descarrega e volta. Mas durante essa época, eu tenho que manter essas balsas por mais tempo. É um período bem mais delicado”, continua.

A Ream distribui cerca de 60% do diesel da região Norte. Além do consumo veicular e industrial, estão na lista de clientes termelétricas que suprem parte da geração elétrica da região.

Concorrência com Petrobras
Segundo Valim, a mancha de atendimento da Ream, sobretudo nas franjas da região, tem sido predada pela concorrência da Petrobras, que tem vendido produto a preços mais baixos que o das refinarias privadas e produto importado, alinhados às referências internacionais (PPI, preço de paridade de importação).

“O diferencial de preço [da Petrobras ante Ream] é muito grande. Hoje tem chegado produto Petrobras de caminhão até onde eles conseguem subir. Mesmo com o custo do transporte por caminhão, essa movimentação está acontecendo, sobretudo em regiões do agro, como no Mato Grosso. Então está acontecendo sim uma redução de market share”, afirmou.

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