Beatriz Kawai, da Agência iNFRA
O governo do estado de São Paulo alterou a metodologia de segurança hídrica para acompanhar o nível de abastecimento de água no Sistema Cantareira, um dos principais para o estado paulista. A novidade é o monitoramento específico da curva do Cantareira, junto ao SIM (Sistema Integrado Metropolitano), sistema atual que considera a média do nível de água de todos os reservatórios paulistas.
O monitoramento da segurança hídrica paulista se manterá pela classificação da situação hidrológica em sete faixas, que orientam as medidas do plano de contingência de escassez hídrica. Com a implementação da nova metodologia, as condições hidrológicas de ambas curvas serão avaliadas em conjunto pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, que se reunirá mensalmente. A faixa de atuação será definida a partir da condição mais crítica. Está previsto que o conselho vai se reunir de imediato em casos de eventos extraordinários de transição inesperada de faixas.
“A metodologia é muito focada em prevenção e contingência e cada vez mais o aumento da previsibilidade, vendo o ciclo hidrológico como um todo”, disse a secretária da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) de SP, Natália Resende, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (19) na sede da Semil-SP, em São Paulo (SP).
O novo sistema também considerará na análise uma maior janela temporal de comportamento hidrológico dos últimos 15 anos, ante a janela anterior que começava em 2021. A extensão do período de análise permite a captação dos efeitos históricos do El Niño e La Niña, conforme a pasta.
“Em linha com recomendações de agências internacionais, como a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, na sigla em inglês), médias móveis de 10 a 15 anos permitem capturar melhor essa variabilidade climática, especialmente para projeções de curto prazo, e estamos considerando curto prazo aqui como um ano, que de fato é curto prazo olhando séries históricas de ciclos hidrológicos”, explicou a diretora-presidente da SP Águas, agência reguladora dos recursos hídricos do SP, Camila Viana, em coletiva.
O texto leva em consideração as contribuições feitas em âmbito da CP (Consulta Pública) 14 de 2025, da Arsesp (Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo), que visava melhorar a metodologia das faixas de atuação e os requisitos mínimos dos planos de contigência. A CP também mirava no aperfeiçoamento dos critérios de monitoramento e transição das faixas de atuação que orientam as medidas do plano de contigência. Entre as medidas, destaca-se a redução da pressão da água durante determinados períodos, conhecida como GDN (Gestão de Demanda Noturna).
Em coletiva, o diretor-presidente da Arsesp (Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo), Diego Domingues, destacou que todas as faixas preveem medidas para evitar perdas de água.
A mudança será publicada em deliberação na próxima segunda-feira (22) pela Arsesp. O texto também foi construído com a Semil-SP e da SP Águas.
Em paralelo ao monitoramento, o governo paulista dá andamento em obras de resiliência hídrica, como a transposição Billings-Taiaçupeba, prevista a ser entregue em 2027. A obra, da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), conta com investimentos de R$ 1,4 bilhão para aumentar a vazão de água em 4 mil litros por segundo. São esperadas mais quatro obras de resiliência hídrica a serem concluídas na região metropolitana de São Paulo entre este ano e 2030.





