Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

A contratação de usinas termelétricas no LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) para entrada em operação em 2026, junto à melhora dos reservatórios da região Sul, deve adiar – ou até evitar – o acionamento da bandeira vermelha neste ano, segundo especialistas ouvidos pela Agência iNFRA. Esses dois fatores ajudaram a manter o patamar em amarelo neste mês de junho e tendem a aliviar a pressão sobre as bandeiras para os demais meses de seca, avaliam.
À Agência iNFRA, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia) explicou que a disponibilidade das usinas do LRCAP passou a ser considerada nos cálculos de bandeiras a partir da homologação dos vencedores do produto 2026 pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) no dia 21 de maio. A entrada desses contratos, que é prevista para agosto, ampliou a oferta de potência, o que já colaborou na apuração da bandeira de junho.
Além do leilão, a CCEE aponta que entrou na conta para definição da bandeira de junho uma redução significativa da carga, da ordem de 2 GW (gigawatts), para os meses de junho e julho, em função das temperaturas mais amenas previstas.
Essa perspectiva de queda na demanda levou a uma diminuição do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que é um dos gatilhos para acionamento das bandeiras, segundo a câmara. A ANEEL também destacou que a queda no PLD ajudou a segurar a bandeira de junho no patamar atual, além do GSF (risco hidrológico) baixo, o que está ligado às melhorias dos níveis de reservatórios e afluências na região Sul.
Até meados de maio, as projeções de empresas do setor elétrico e também da CCEE indicavam a entrada da bandeira vermelha 1 em junho, com tendência de evolução para a vermelha 2 já a partir de julho e mantendo nesse patamar até o início do próximo período chuvoso. Agora, um conjunto de fatores alterou esse cenário, em especial o aumento da oferta – hídrica e termelétrica.
Novas projeções
Para julho, a expectativa é que seja mantida a bandeira amarela, avalia Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia. Isso reflete, segundo ele, a entrada das novas usinas contratadas no LRCAP, que devem ter impacto ainda maior na definição das bandeiras tarifárias a partir de julho.
“Com isso, o que antes indicava uma possível adoção da bandeira vermelha agora se reconfigura para a manutenção da bandeira amarela”, diz o especialista, que complementa: “Com esse reforço de oferta, a expectativa de bandeira amarela passa a se estender até o final do ano”.
Matheus Machado, especialista em inteligência de mercado do Grupo Bolt, também avalia que para julho a expectativa é de mais um mês com bandeira amarela. Para o restante de 2026, ele avalia que deve haver flutuações entre as bandeiras vermelha 1 e amarela, considerando o cenário de super El Niño, mas com menos propensão à bandeira vermelha 2.
Ele lembrou que junho, mesmo sendo amarela, a bandeira ficou próxima da faixa da vermelha 1. “O mês de maio foi de recuperação hídrica na região Sul, que registrou bons volumes de chuva, assim como parte do Sudeste, aumentando a disponibilidade hidráulica”, disse. No Sul, o armazenamento estava na casa de 31% no final de abril e fechou maio acima de 55%.
A bandeira amarela, mantida para junho pela ANEEL, tem cobrança adicional de R$ 1,88 a cada 100 kWh (quilowatt-hora) consumidos. Já a vermelha tem um valor extra de R$ 4,46, no patamar 1, e de R$ 7,88, no nível 2.






