Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (1°), que o país ainda não está na fase de transição energética e que acredita ainda em “adição energética”, sob a justificativa de que o consumo de energia percapita do Brasil ainda é baixo na comparação com outras economias desenvolvidas e em desenvolvimento.
“Falam muito em transição energética, mas a gente gosta mesmo é de falar em adição energética. Em 1970, eram 90 milhões [de brasileiros], hoje somos 215 milhões. O que isso significa em termos de fornecimento de energia?”, questionou Magda.
Em seguida a CEO da Petrobras lembrou que, em termos de energia percapita no mundo, o Brasil está junto com as partes pobres da África, excluindo a África do Sul, e da Ásia, excluindo Japão, China e Coreia do Sul.
“Somos piores do que quase todo mundo nesse aspecto. A Índia ainda está trás de nós. Só que energia é desenvolvimento. Então não dá para falar em substituição, porque não estamos na hora de substituir nada. Ainda estamos na hora de fazer mais. E projetos de transição energética talvez sejam mais de adição energética”, continuou Magda.
A presidente da Petrobras repetiu que a meta nas próximas décadas é manter a fatia de provimento de energia primária da empresa em 31% da oferta nacional de energia, o que, ante o crescimento esperado da economia, requer aumentar a produção da companhia em algo entre 55% e 60% até 2050.
Para isso, afirmou, é preciso repor as reservas da petroleira, no que o plano A ainda é explorar e inaugurar produção de petróleo e gás na Margem Equatorial, onde há mais de dois anos tenta reverter uma negativa do Ibama no processo de licenciamento ambiental. Mais do que um “day after do pré-sal”, como definiu, ela disse que a ida à Margem Equatorial é um esforço de descentralização dos investimentos em exploração para contemplar as regiões Norte e Nordeste.
Sem negacionismo
Magda esclareceu que essa posição, voltada à “adição energética”, não se trata de negacionismo. “Não somos negacionistas, sabemos que carbono é ruim”, disse, antes de listar longa lista de iniciativas de descarbonização em curso, como de CCUS (captura e armazenamento de carbono).
“Vamos fazer projetos de CCUS, capturar carbono, injetar no subsolo. Com apenas três projetos, podemos superar todas as emissões da Petrobras juntas”, disse Magda.
Ela citou, ainda, maiores investimentos em SAF (combustível de aviação sustentável), diesel coprocessado com óleo vegetal, além da volta da empresa à produção de etanol – anunciada no ano passado, mas ainda sem anúncios públicos – e investimentos em energia solar para geração de energia limpa capaz de transformar o hidrogênio usado em refinarias em hidrogênio verde. Hoje, o insumo tem cor cinza, por ser de origem fóssil.
Magda fez as afirmações durante palestra em evento promovido pelo Friperj (Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro) na UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói (RJ).
Segundo fontes disseram à Agência iNFRA, os investimentos em geração de energia limpa da companhia devem se limitar ao suprimento de operações e não mais gerar para o sistema nacional, como era o objetivo da gestão anterior, de Jean Paul Prates, que visava investimentos em eólica onshore e offshore.





