Lais Carregosa e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA
A área técnica da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) apontou que uma eventual troca de sede da reguladora, de um edifício próprio para salas alugadas em um prédio de alto padrão em Brasília, implicaria custos adicionais de R$ 131 milhões em dez anos, em valores presentes – ou R$ 160 milhões, considerando os preços atualizados pela inflação.
Isso se deve à diferença entre o custo total de uma eventual mudança, que alcançaria R$ 247,1 milhões, contando móveis e outros itens, versus a manutenção do prédio atual, que representaria uma despesa de R$ 115 milhões, incluindo reformas.
A informação consta em memorando da última quinta-feira (9), no processo que trata da mudança para um novo edifício a menos de 3 km do complexo existente, cujas deliberações têm ocorrido em reuniões administrativas – fechadas ao público. Ainda em construção, o edifício Lotus Tower tem previsão de entrega em 2027.
Conforme proposta de outubro de 2025, disponibilizada na última semana, a ANEEL ocuparia seis andares do prédio, totalizando uma área de 9,5 mil m² (metros quadrados). Os valores do contrato e do condomínio somam R$ 1,78 milhão por mês, representando um custo anual de R$ 21,4 milhões.
A mudança de sede tem sido estudada pela reguladora desde 2024. O processo está sob relatoria do diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, que pediu à área técnica, em setembro de 2025, um comparativo detalhado das despesas do aluguel com os custos de manutenção e de reformas no edifício-sede.
Na análise, além do custo com o aluguel das salas, a área técnica considerou manter parte do prédio atual sob gestão da ANEEL para abrigar estruturas como data center, biblioteca e museu. Também foram contabilizadas despesas com aluguel de mobiliário para a nova sede alugada, que teria dimensões menores que a atual.
Vistoria
No memorando, a SGA (Superintendência de Gestão Administrativa, Financeira e de Contratações) relata os resultados de uma inspeção realizada entre 20 de fevereiro e 21 de março no edifício atual da ANEEL, atendendo ao pedido do diretor-geral.
Segundo o documento, o prédio apresenta “condições compatíveis com seu uso institucional”, com degradação típica de locais com o tempo de uso do prédio e problemas estruturais “pontuais e localizados”.
De acordo com a vistoria, seriam necessários R$ 38,6 milhões em investimentos para endereçar as questões estruturais identificadas durante a vistoria e outras melhorias já planejadas, sendo R$ 24,2 milhões em obras prioritárias e emergenciais e outros R$ 14,4 milhões em intervenções de longo prazo.
A área técnica destaca ainda que já tem projetos executivos concluídos para as principais intervenções indicadas pelo laudo, como reforma da cobertura e modernização das fachadas.
O memorando também atualizou as comparações de espaço entre a sede atual e a nova, conforme proposta atualizada da Lotus. No prédio alugado, a área privativa total cairia de 16,96 mil m² para 9,5 mil m². O espaço por posto de trabalho cairia de 12 m² para 9 m². Já o número de vagas privativas de estacionamento seria reduzido de 405 para 202.





