Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou nesta quarta-feira (27) os planos para aumentar em 20% a produção de óleo e gás do Polo Urucu, no oeste do Amazonas, nos próximos cinco anos.
Para tanto, disse a executiva, serão perfurados 22 poços nos próximos anos, sendo 17 convencionais e cinco remotos, entre investidas para ampliar a produção das jazidas já conhecidas e outras com caráter exploratório. O investimento previsto é de R$ 2,5 bilhões. Neste orçamento, a Petrobras também planeja 40 quilômetros de linhas para conexão dos novos poços.
“Temos aqui no Polo Urucu cerca de 70 poços e vamos colocar mais 22 poços. Serão quase 20 poços para aumentar a produção e alguns para explorar mais a região e descobrir novas jazidas. É com esses poços exploratórios que vamos aumentar a produção”, disse Magda. Esse incremento de produção, calcula a Petrobras, será capaz de gerar 14 mil empregos na região, número também citado por Magda.
Ela falou ao lado do presidente Lula em evento sobre investimentos totais da ordem de R$ 2,8 bilhões da estatal para o Amazonas até 2030, o que inclui encomendas de embarcações ao estaleiro Bertolini, em Manaus (AM) e Santarém (PA). A cinco meses da eleição, o governo tem feito uma espécie de “roadshow” com a Petrobras para anunciar e reforçar os investimentos da empresa em vários estados, como já aconteceu em São Paulo e na Bahia mais recentemente.
A Petrobras produz petróleo e gás de forma relevante em Urucu, no município de Coari (AM), no meio da floresta Amazônica, desde 1986. A unidade faz do estado o terceiro maior produtor de gás do país, com atuais 13 milhões de metros cúbicos diários. Esse gás é usado para produção de 80 mil botijões de GLP (gás de cozinha) por dia, que atendem as regiões Norte e parte do Nordeste, e também alimenta as termelétricas do Amazonas, responsáveis por 65% da energia consumida na capital Manaus e dos cinco municípios em seu entorno.
Barcos
A encomenda das 18 barcaças é feita por meio da subsidiária Transpetro a um valor de R$ 303,5 milhões. Os equipamentos serão utilizados no transporte fluvial e na faixa litorânea para alcançar portos, disseram Magda e Lula. O presidente da República voltou a defender longamente a fabricação de navios no país, sob o argumento de que o Brasil domina toda a cadeia de matérias-primas e fabricação dos equipamentos, além da demanda via Petrobras. Ele criticou o fato de, nesse cenário, embarcações que atuam no Brasil serem comumente fabricadas na China.
Concomitantemente, além das barcaças, a Transpetro também contratou 18 empurradores a um investimento de R$325,3 milhões, que serão construídos em Santa Catarina e vão atuar no fornecimento e na logística do combustível marítimo nos portos do Rio de Janeiro, Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande.
As barcaças, sem propulsão própria, serão movimentadas pelos empurradores, com operação sincronizada a até 6 nós. Das 18 barcaças, dez terão capacidade de 3 mil TPB (toneladas de porte bruto) e oito, de 2 mil TPB. As unidades terão até 70 metros de comprimento, 16 metros de boca e 4,5 metros de calado, com possibilidade de transportar diferentes combustíveis em tanques dedicados ou segregados. Os equipamentos também poderão operar com energia elétrica em terra e utilizar energia solar.
Já os empurradores, responsáveis pela manobra do conjunto, terão até 18,7 metros de comprimento, 9,2 metros de boca, 3,7 metros de calado e potência de 450 kW, com tração de até 13 toneladas e autonomia de cinco dias de navegação contínua.






