Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA
A Axia Energia (ex-Eletrobras) projeta que os preços da energia no mercado livre devem seguir pressionados até meados de janeiro. Isso porque os reservatórios hidrelétricos da região Sul do país estão com elevados níveis de armazenamento, em decorrência do El Niño, e há mais disponibilidade de geração, segundo a companhia.
No 3º trimestre de 2026, a queda do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) foi compensada por uma geração efetiva superior à verificada no último ano. O vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado, Rodrigo Limp, destacou ainda que as hidrelétricas são beneficiadas com os picos de preço verificados ao final do dia – quando a energia solar cai e outras usinas precisam ser despachadas para atender ao aumento da demanda.
“Lembrando que a gente está sempre sujeito, a depender da carga líquida diária, a ter picos de preço no fim do dia. Isso acaba, também, trazendo reflexos positivos para aquelas fontes que são mais flexíveis, como é o caso das hidrelétricas”, destacou o executivo durante teleconferência com investidores para divulgação dos resultados da companhia.
Aprimoramento de preços
Limp também defendeu ajustes nos modelos computacionais de formação de preço para que reflitam a realidade operacional do sistema “o mais próximo possível”. Ele destacou que algumas mudanças já estão em andamento.
Uma delas é a incorporação do crescimento do consumo de energia no Paraguai, que reduz a oferta de geração de Itaipu disponível para o mercado brasileiro. Segundo o executivo, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A) já anunciaram aprimoramentos metodológicos que irão ser considerados no PMO (Programa Mensal de Operação Energética) até o fim de dezembro deste ano, com impactos para janeiro.
Outro ajuste é uma maior sensibilidade dos modelos para os impactos dos cortes de energia eólica na operação. A previsão é que, a partir de fevereiro, esse aprimoramento já esteja funcionando para os modelos de curto prazo, e, a partir de maio, para os de médio e longo prazo.
Eventos climáticos
A companhia também destacou um aumento no impacto de eventos climáticos extremos nos sistemas de transmissão de energia, especialmente no Rio Grande do Sul. Segundo levantamento da companhia, enquanto 92 torres de transmissão foram afetadas por tempestades no estado em 10 anos, somente entre agosto e setembro de 2026, 83 torres foram atingidas, sendo que parte delas caíram.
Para mitigar esses estragos, a Axia tem investido no uso de inteligência artificial nos modelos meteorológicos para a previsão de eventos extremos e também em monitoramento das infraestruturas.
Resultados
A Axia registrou um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão do 3º trimestre de 2026, revertendo um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no mesmo período em 2025. A soma dos nove primeiros meses do ano, R$ 7,1 bilhões, representa uma alta de 98% em relação ao mesmo período de 2025.





