Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
Os principais projetos no Brasil de mineração de terras raras – elementos essenciais para transição energética e novas tecnologias – registram custo de produção equivalente aos de empreendimentos na China, líder mundial desse mercado. É o que aponta estudo divulgado nesta sexta-feira (19) pelo MME (Ministério de Minas e Energia).
O levantamento estima que o custo por quilo produzido de óxido de terras raras equivalentes, o chamado “TREO”, está em torno de US$ 30/kg na China. Segundo o estudo, o projeto com o custo mais elevado no Brasil é da empresa canadense Aclara, em Nova Roma (GO), no valor de US$ 29,2/kg. Em seguida, estão os projetos brasileiros com custo de produção ainda menor: US$ 13,07/kg, no projeto da australiana Meteoric, e US$ 9,3/kg na mina da também australiana Viridis.
“Nós somos competitivos. Dentro da mina, a gente bate de frente com os custos chineses por causa da geologia, do teor, da maior facilidade que existe na transformação mineral, beneficiamento, na extração e na separação”, disse Caíque Souza, que é um dos autores do estudo e consultor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
O projeto brasileiro da Serra Verde, em estágio mais avançado de produção, não entrou no levantamento porque a mineradora não divulga dados técnicos que permitiriam fazer a análise de custo.
A metodologia usada para o cálculo considera os valores das substâncias químicas vistas como “mais relevantes” entre os 17 elementos considerados terras raras. São eles o ND (Neodímio), Pr (praseodímio), Dy (Disprósio) e Tb (Térbio). Todos eles são magnéticos e fundamentais para a produção de ímãs permanentes.
O estudo foi encomendado pelo MME e elaborado pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), com apoio técnico da União Europeia e financiado pelo BID.





