23/03/2026 | 19h39

TotalEnergies abandona eólica offshore nos EUA para investir mais em O&G

Foto: TotalEnergies

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

A francesa TotalEnergies assinou acordos com o governo dos Estados Unidos renunciando a contratos de arrendamento de áreas nos mares da Carolina do Norte e de Nova York para instalação de usinas eólicas offshore, concedidas ainda em 2022. Os termos do acordo preveem que as taxas de arrendamento já pagas pela companhia serão devolvidas e que a empresa deverá investir valor equivalente no desenvolvimento da produção e exportação de GNL (gás natural liquefeito) e geração de energia no país. O acordo é uma amostra da mudança de direção da política energética dos EUA sob o governo Donald Trump.

“A TotalEnergies tem o prazer de assinar esses acordos com o Departamento do Interior [dos EUA] e de apoiar a Política Energética do governo. Considerando que o desenvolvimento de projetos de energia eólica offshore não é do interesse do país [EUA], decidimos renunciar ao desenvolvimento de energia eólica offshore nos Estados Unidos, em troca do reembolso das taxas de arrendamento”, disse em nota o CEO global da companhia, Patrick Pouyanné.

“Esses acordos, pelos quais reinvestiremos as taxas de arrendamento reembolsadas para financiar a construção da planta de GNL de Rio Grande [Texas] e o desenvolvimento de nossas atividades de petróleo e gás, nos permitem apoiar o desenvolvimento da produção e a exportação de gás dos EUA”, continuou Pouyanné.

Segundo o CEO da TotalEnergies, esses investimentos contribuirão para o fornecimento de GNL proveniente dos EUA à Europa, e fornecerão gás para o desenvolvimento de data centers nos EUA.

No documento, a companhia francesa lembra que também assinou, recentemente, uma carta de intenções com a Glenfarne, empresa que desenvolve o projeto “Alaska GNL“, para a aquisição de longo prazo de dois milhões de toneladas por ano de GNL durante 20 anos, um passo que ainda está sujeito à decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês).

Conforme relatado na imprensa norte-americana, a TotalEnergies teria se comprometido a investir US$ 928 milhões para desenvolver quatro trens de produção de GNL na nova usina texana, além da produção de óleo convencional no Golfo do México (EUA) e na produção de gás de fracking (fraturamento hidráulico). Uma vez garantidos esses investimentos, o governo americano deverá reembolsar a empresa pela saída dos negócios de eólica offshore, arrendamentos pelos quais pagou US$ 133,3 milhões (Carolina do Norte) e US$ 795 milhões (Nova York).

Para justificar a guinada, a TotalEnergies disse, em nota, que seus estudos sobre esses arrendamentos demonstraram que os projetos de energia eólica offshore nos Estados Unidos, ao contrário dos da Europa, são “dispendiosos e podem ter um impacto negativo na acessibilidade da energia para os consumidores americanos“.

“Considerando que existem outras tecnologias disponíveis para atender à crescente demanda por eletricidade nos Estados Unidos de forma mais acessível, a TotalEnergies entende que não há necessidade de alocar capital para essa tecnologia no país“, diz em nota. Em seguida, a empresa lembra que é a maior exportadora de GNL dos EUA na atualidade, com 19 milhões de toneladas exportadas somente em 2025.

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