Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
O conflito no Oriente Médio, iniciado pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, não teve efeito expressivo sobre a Vale na comercialização de minério de ferro, afirmou nesta quarta-feira (29) Rogério Nogueira, vice-presidente-executivo de Comercial e Desenvolvimento da companhia. “O impacto no fornecimento global de minério de ferro foi neutro com o conflito no Irã”, afirmou o executivo em teleconferência com investidores.
O diretor da Vale explicou que a escalada de ataques na região interrompeu a produção de aço bruto no Irã. Contudo, ele disse que a carga de minério pôde ser direcionada para outros clientes da região que continuam produzindo.
Em Omã, onde a Vale atua desde 2007, a produção de aço se mantém “estável”, apoiada em estoques de sucata e pelotas, afirmou o executivo. A situação é diferente em Bahrein, onde o conflito levou a planta de pelotização a ser desativada, dada a impossibilidade de entrega de pellet feed – o concentrado de minério de ferro de alta pureza –, e redirecionada para a China e outros países da Ásia.
Durante a teleconferência de apresentação do resultado do primeiro trimestre de 2026, os executivos da Vale reconheceram que, com a guerra no Irã, a “curva de custos deslocou para cima”, com alta de preço de US$ 5 a US$ 10 por tonelada.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, destacou que a companhia tem conseguido conter o aumento do custo logístico. Segundo ele, isso ocorre, entre outros fatores, em decorrência do alto nível de contratação de frota, acima de 90%, e estruturação de hedge (proteção) contra oscilações de preço do combustível marítimo, o que ajuda a atenuar a desvantagem logística em relação ao minério australiano em entregas na Ásia.





