11/03/2026 | 09h25  •  Atualização: 11/03/2026 | 09h54

Raízen pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65 bi

Foto: Raizen/Divulgação

da Agência iNFRA

O Grupo Raízen protocolou nesta quarta-feira (11) pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. De acordo com o fato relevante publicado pelo grupo, que tem como acionistas a Shell e o Grupo Cosan, o pedido envolve a reestruturação de dívidas no montante aproximado de R$ 65,1 bilhões, além de outros créditos entre subsidiárias da própria empresa. Segundo a companhia, a recuperação extrajudicial foi estruturada de forma consensual com seus principais credores financeiros.

De acordo com a Raízen, credores que representam mais de 47% das dívidas já aderiram ao plano, percentual suficiente para o ajuizamento do pedido. A empresa terá prazo de até 90 dias, após o processamento da recuperação, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do plano.

A companhia informou ainda que o processo tem escopo estritamente financeiro e não abrange dívidas com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros comerciais, que continuarão sendo cumpridas normalmente. Segundo a empresa, as operações do grupo seguem sendo conduzidas normalmente.

A Raízen enfrenta dificuldades para lidar com a taxa de juros alta e contratempos nos fundamentos de seu próprio negócio, atravessado por colheitas de cana-de-açúcar mais fracas e apostas em tecnologias, como etanol de segunda geração e SAF (combustível de aviação sustentável, na sigla em inglês), que perderam espaço com o freio de arrumação da transição energética após a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia.

Na semana passada, a empresa chegou a comunicar ao mercado que analisava medidas para “reforçar a estrutura de capital”, entre as quais um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões oriundos da Shell e R$ 500 milhões de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, ligada à família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Outra opção informada era a de reestruturação do endividamento financeiro, com possível conversão de parte da dívida em capital; alongamento de prazos do saldo remanescente; e a continuidade do processo de simplificação do portfólio, com possível venda de ativos não estratégicos.

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