11/03/2026 | 14h23  •  Atualização: 11/03/2026 | 16h28

‘Há condição de manter preço do combustível’, diz Silveira em crítica a distribuidoras

Foto: Kayo Mahalhaes/Câmara dos Deputados

Geraldo Campos Jr. e Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou qualquer problema no abastecimento de combustíveis do país e disse que ainda há condição de se manter os preços aos consumidores finais. Segundo o ministro, o aumento desses preços nas bombas e as incertezas com relação à entrega de diesel que afetam o agronegócio, sobretudo no Sul do país, têm a ver com movimentos especulativos de distribuidoras e revendedores privados.

“Não tem risco de desabastecimento, muito pelo contrário. Há toda condição de se manter o preço dos combustíveis. E o que podemos fazer é fiscalizar abusos nos postos de gasolina. Vamos fiscalizar as distribuidoras para que deixem de cometer os abusos que elas começaram a cometer nos últimos dias, criando uma certa dúvida no agronegócio, no abastecimento por diesel dos tratores, por exemplo”, disse Silveira a jornalistas na saída da CME (Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados) nesta quarta-feira (11).

Após a eclosão da guerra no Oriente Médio, há 12 dias, empresas de distribuição assumiram um repasse da escalada dos preços internacionais do diesel e da gasolina para os preços praticados no país, sob o argumento de que parte do produto com o qual trabalham é importado e, portanto, já chegaria ao Brasil mais caro.

Para Silveira, esses aumentos são “especulação criminosa” dos agentes, que se aproveitam de qualquer movimento internacional nos preços dos combustíveis. Como já fez antes, o ministro prometeu aplicar as “multas devidas” e fiscalizar, com operações, envolvendo a Polícia Federal e órgãos como ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A fala do ministro não é nova, ao que executivos do setor de distribuição negam qualquer movimento especulativo e frisam a liberdade de definição de preços.

Autossuficiência em petróleo e importações
Silveira destacou que o Brasil é autossuficiente e tem posição confortável no que tange à oferta interna de óleo bruto, insumo para derivados como diesel e gasolina. Mas reconheceu que o país não produz todo o combustível que consome, importando hoje entre 27% e 29% do diesel, e algo entre 13% e 15% da gasolina demandada.

Embora tenha dito aos deputados na CME que o governo não será irresponsável de intervir na Petrobras para segurar preços, minutos depois fez a afirmação sobre as condições de manter os preços desses insumos na ponta da cadeia e disse que o presidente Lula faz as discussões para “solucionar problemas a favor do povo brasileiro”.

Volta à distribuição
Em continuação às queixas sobre os distribuidores, o ministro voltou a defender que a Petrobras volte para o setor de distribuição a fim de participar mais ativamente da formação dos preços ao consumidor, o que acabou com a conclusão da privatização da BR Distribuidora, atual Vibra Energia, em 2021.

“Se a Petrobras tivesse a BR Distribuidora, poderíamos garantir abastecimento a preços melhores de diesel, gasolina e até gás natural. Há uma grande intenção nossa de voltar ao setor de distribuição nacional. A Petrobras deveria celeremente voltar a este setor. Tem uma cláusula de non compete [não competição] com a Vibra até 2029, mas é fundamental que volte”, disse, atribuindo as dificuldades de momento no setor à gestão do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, que teria dado as condições para a venda da BR à iniciativa privada.

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