Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A Petrobras avalia um leque de possibilidades que possam atenuar o impacto do próximo reajuste de preço do gás natural a seus clientes, afirmou nesta quarta-feira (20) o gerente geral de Comercialização de Gás e Energia da Petrobras, João Marcelo Barreto. Ele falou a jornalistas na saída da conferência Argus Rio Crude, que acontece nesta semana no Rio de Janeiro.
Há pouco mais de uma semana, em teleconferência com investidores, a presidente da estatal, Magda Chambriard, chegou a mencionar um possível parcelamento do aumento dos preços para distribuidoras de gás natural canalizado, nos moldes do oferecido a distribuidoras de QAV (querosene de aviação), mas, além desta, haveria outras opções, como estabelecimento de piso e teto para os contratos e equilíbrio via mix de indexadores, detalhou Barreto.
Alternativas
Segundo o executivo, a ideia é que essas medidas sejam construídas antes de agosto, quando acontece o reajuste de preço trimestral. As alternativas devem valer tanto para o mercado cativo quanto para o mercado livre.
“A gente está avaliando eventualmente os impactos disso [atenuantes] nos contratos. Parcelamento é um dos mecanismos possíveis. Pode aparecer uma situação de você colocar um teto em um piso no contrato, um mecanismo para que não tenha todo o impacto previsto no contrato automaticamente”, disse Barreto.
Em seguida, ele também listou a possibilidade de equilibrar o mix de indexadores presentes nos contratos. “Apesar de os clientes terem optado em cerca de 20% dos nossos contratos em indexar a Henry Hub, [esse mix] é um caminho”, continuou.
Ele disse que a Petrobras vai preparar propostas e testá-las para entender o que os clientes entendem como a melhor alternativa em cada caso, detalhando que a Petrobras tem 55% do mercado cativo nacional e cerca de 40% do mercado livre. Ao ser questionado sobre uma data, ele disse “o mais breve possível, tão logo o assunto tenha sido discutido com a diretoria da estatal”. Hoje a discussão ainda está na área técnica.
O primeiro reajuste trimestral após o início da guerra no Oriente Médio aconteceu no início de maio, uma alta de 19,2%. Projeções da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), no entanto, indicam que o próximo reajuste pode acarretar aumento de 50% no preço da molécula em agosto.
‘Abrasileiramento de preços’
Sobre um possível abrasileiramento dos preços do gás da Petrobras, que tem indexadores relacionados ao mercado internacional, João Marcelo Barreto rebateu, afirmando que os preços hoje praticados no Brasil “já não têm o menor colamento” com os do mercado internacional, como o Europeu por exemplo.
Esses preços já têm um descolamento. Aqui nós estamos falando de uma molécula na casa de US$ 8, US$ 9, dependendo dos contratos e dos fornecedores. E lá você está vendo o preço hoje na casa de US$ 16, US$ 17. Você está numa base mais baixa aqui no Brasil, e quando a gente está discutindo aplicar mecanismos para tentar minimizar esse impacto que seria o reajuste de agosto, já é uma forma de você fazer um descolamento ainda maior em relação ao mercado internacional.






