Beatriz Kawai, da Agência iNFRA
O novo contrato da rodovia BR-163 MT/PA, que foi repactuado na SecexConsenso, do TCU (Tribunal de Contas da União), prevê a criação de um corredor logístico sustentável. O ativo irá a leilão em novembro. O futuro operador do trecho entre Mato Grosso e Pará, gerido hoje pela Via Brasil BR-163, deverá implementar o sistema para mitigar os fatores de trânsito e ambientais da rodovia, “com integração da operação rodoviária e operadores portuários, visando a integração multimodal”, conforme o acordo fechado no TCU.
Esse foi o meio encontrado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) de trazer inovação e sustentabilidade de uma forma mais rápida, na avaliação da superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da agência reguladora, Cynthia Ruas. “Os riscos são calculados, sabemos onde queremos chegar”, disse Ruas, nesta quinta-feira (23), no Infra Talks – A Sustentabilidade na Prática em Concessões Rodoviárias, evento organizado na sede da B3, em São Paulo (SP).
A implementação de um corredor sustentável também foi prevista em razão do grande movimento registrado na rodovia e a presença de comunidades, inclusive tradicionais indígenas, segundo a superintendente, destacando a necessidade de o trecho ser incluído no plano estratégico do Arco Norte.
Ela explicou à Agência iNFRA que o caso da BR-163 foi singular por ter previsto a inclusão de cláusula para o corredor sustentável durante a elaboração do contrato, já que se tratou de uma repactuação.
“Nos outros casos, as empresas aderiram à ideia do corredor depois. A Via Brasil, como é contrato repactuado, ainda vai passar por esses trâmites na B3, mas a discussão já foi feita”, afirmou.
A remodelagem do contrato foi feita principalmente porque a operação da BR-163 foi estruturada como uma concessão de transição, com duração de dez anos, considerando que a Ferrogrão – ferrovia projetada para ligar o norte de Mato Grosso aos portos do Arco Norte – entraria em operação ainda nesta década e absorveria parte significativa do transporte de cargas na região.
Com o atraso da ferrovia, cuja previsão passou a ser 2040, o fluxo na BR-163 superou amplamente as estimativas iniciais. O novo contrato, que projeta investimentos estimados em R$ 10,6 bilhões, será leiloado em 12 de novembro, com edital recentemente aprovado pela ANTT.
O primeiro corredor logístico sustentável multimodal coordenado pela ANTT foi negociado para o trecho da BR-277 entre Curitiba e Paranaguá (PR) – da EPR Litoral Pioneiro. O projeto-piloto, que começou a ser implementado no segundo semestre de 2025, foi concebido para ser um ecossistema de inovação e sustentabilidade e será desenvolvido por meio de sandbox regulatório.
Segundo a reguladora, o objetivo é aprimorar a infraestrutura nacional com foco em segurança viária, eficiência energética, preservação ambiental, inclusão social e resiliência climática. Segundo a superintendente da ANTT, um novo corredor sustentável em outro ativo rodoviário está previsto para ser divulgado pela agência.






