17/09/2026 | 14h00  •  Atualização: 17/09/2026 | 14h15

Setor nuclear defende usar energia de Angra para atender data centers

Foto: Governo Federal

Lais Carregosa, da Agência iNFRA

Representantes do segmento nuclear entendem que a energia produzida pelas usinas de Angra pode atender aos data centers enquadrados no Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter). Para eles, não há dúvida de que a nuclear será incluída no rol de fontes aptas ao suprimento dos empreendimentos beneficiados pelo programa, por ser uma fonte considerada “limpa”, segundo disseram à Agência iNFRA

O presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares), Celso Cunha, afirma que Angra 3 poderia oferecer uma solução firme e de curto prazo para os centros de processamento. Para isso, seria preciso um decreto do governo federal, já que atualmente as usinas de Angra destinam a sua energia para o ambiente regulado, explicou. 

“Se você mudar a norma em relação a Angra 3 e colocar ela para fornecer para um data center, que é 1,6 GW (gigawatt), a usina pode ser concluída em seis anos”, disse. A construção da terceira usina de Angra está paralisada e aguarda definição do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) sobre sua continuidade.

Pequenos reatores
À Agência iNFRA, o ex-ministro de Minas e Energia e consultor, Bento Albuquerque, explicou que as usinas nucleares de Angra podem atender aos data centers por meio do SIN (Sistema Interligado Nacional). Ele destacou, no entanto, que os pequenos reatores nucleares podem ser uma solução dedicada aos empreendimentos.

Nesse caso, afirma o ex-ministro, seria preciso aprimorar o marco legal do segmento para permitir a operação de reatores por agentes privados. “Isso aí já vem sendo estudado junto à agência reguladora do setor nuclear, dentro do próprio governo e do próprio Congresso Nacional”, disse.

Bento destaca que a empresa NBEPar (Núcleo Brasil Energia Participações), uma holding do grupo Diamante, já desenvolve um projeto privado de microrreator com recursos próprios e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). O projeto, no entanto, ainda não é operacional.

Nessa linha, Celso Cunha, da Abdan, levanta a possibilidade de os pequenos reatores serem construídos por meio de PPPs (Parcerias Público-Privadas), nas quais o agente público ficaria responsável pela operação das plantas. Nesse caso, não seria preciso alteração legislativa.

“Você precisa hoje ter uma estatal envolvida, mas qualquer estatal [pode fazer]”, disse. Ele cita a Eletronuclear, a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A) e até mesmo a Petrobras.

Expectativa
Para Bento, o uso da fonte nuclear para data centers assume um papel importante no contexto mundial. No entanto, segundo o ex-ministro, ainda não há um movimento no Brasil de empresas de dados querendo assinar contratos de fornecimento com a fonte nuclear. “Isso vai acontecer a partir do momento da regulamentação”, declarou. 

“É uma realidade que já está acontecendo nos Estados Unidos, na Coreia do Sul, na Rússia, por exemplo, vai acontecer na Europa em breve e certamente nós vamos ter isso no Brasil”, afirmou.

O presidente da Abdan diz que as empresas do setor nuclear estão contando com a demanda dos data centers. Ele destaca ainda que o próprio MME (Ministério de Minas e Energia) já sinalizou, no PNE 2055 (Plano Nacional de Energia 2055), a entrada de novas usinas nucleares, somando 14 GW de capacidade. 

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