da Agência iNFRA
A Motiva classificou a alíquota de 11,3% sugerida nesta quarta-feira (28) pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) como “maior do que o esperado”. O vice-presidente financeiro da empresa, Rodrigo Araujo, afirmou nesta quinta-feira (29) que o valor “gera um potencial impacto de aumento de carga tributária na economia que pode ter efeito sobre crescimento econômico” e “sobre a dinâmica da economia”.
Apesar disso, Araujo disse, durante conferência para apresentar os resultados da companhia, que a Motiva está preparada. Segundo ele, mais de 80% do portfólio está “razoavelmente” blindado em termos de banda de mitigação e fluxo de caixa marginal. “O impacto de crescimento econômico e de flutuação de demanda que nos preocupa um pouco menos, pois temos um mix de ativos que tem uma blindagem adequada com relação a isso”, explicou.
O cálculo da alíquota de referência de 11,3% para a CBS foi aprovado pela corte de contas nesta quarta-feira e agora segue para o Senado Federal, que fica encarregado de fixar o valor de referência até 15 de dezembro. O imposto substitui tributos federais cobrados sobre o consumo, como PIS e Cofins. Foi a primeira vez que o TCU realizou o cálculo que servirá de base para a definição da alíquota de um tributo federal, atribuição estabelecida pela reforma tributária aprovada em 2023.
Preparação dos fornecedores
Outro ponto referente à reforma tributária e destacado pela Motiva como preocupante é a preparação para as mudanças por parte de seus fornecedores. Segundo Araujo, faltando dois meses para “uma virada de chave relevante”, o nível de preparação da cadeia de suprimentos ainda é “muito baixo” e apenas uma parcela dos fornecedores se considera completamente pronta.
A companhia disse que tem dedicado “bastante tempo” ao tema e tenta apoiar os fornecedores no processo de adaptação, mas que não descarta o uso de mecanismos de proteção à tomada de crédito previstos na reforma. “É algo que a gente está olhando sim e pode ser eventualmente um recurso que a gente utilize para proteger nossa tomada de crédito vis-à-vis o grau de preparação da cadeia de suprimentos”, afirmou Araujo.
Resultados do trimestre
Durante a conferência, a Motiva apresentou os resultados alcançados após a conclusão do terceiro trimestre deste ano, fechando com lucro líquido societário de R$ 3,42 bilhões, alta de 177,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando registrou R$ 1,23 bilhão. De acordo com a empresa, o resultado foi influenciado pela conclusão da venda da antiga plataforma de aeroportos da companhia e pelo desempenho do tráfego nas rodovias.





