Marisa Wanzeller, Geraldo Campos Jr. e Lais Carregosa, da Agência iNFRA

Os partidos de centro já disputam o comando do MME (Ministério de Minas e Energia) no governo Lula 4. Segundo fontes, Republicanos e MDB estão se articulando para assumir a pasta, enquanto o PSD busca manter a sua influência. Assim, a continuidade de Alexandre Silveira (PSD) à frente do ministério ainda é incerta e depende de acordos políticos, reforçaram interlocutores à Agência iNFRA.
O mais forte na disputa hoje seria o Republicanos, segundo fontes. O partido é apontado como um “fiel da balança” para garantir a governabilidade de Lula com um Congresso eleito mais à direita. A sigla, no entanto, busca manter o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) e, ainda, assumir o Ministério dos Transportes. Ter o comando das três pastas pode não ser factível para o partido que tem como filiado o principal nome da oposição para as eleições de 2030, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Já o MDB saiu enfraquecido das eleições regionais, apontam interlocutores. O partido assumiu os ministérios dos Transportes e das Cidades na atual gestão de Lula, com Renan Filho (AL) e Jader Filho (PA), respectivamente. Ambos se descompatibilizaram dos cargos para disputar as eleições.
Renan, da família Calheiros, perdeu a disputa pelo governo de Alagoas e viu seu pai, o senador Renan Calheiros, perder a vaga de senador. Na família Barbalho, Jader foi eleito deputado e seu irmão, o ex-governador do Pará Helder Barbalho, foi eleito senador, levando ainda seu aliado, Chicão (União). Mas a aliada política que disputou o governo no mandato, Hana Ghassan (MDB), não foi reeleita.
Embora Silveira seja considerado “cota pessoal” de Lula, interlocutores afirmam que Gilberto Kassab, presidente do PSD, tende a endossar a continuidade do ministro. Dessa forma, reduziria o risco de perder a pasta para outro partido. Minas e Energia é um dos ministérios mais visados por ter sob seu guarda-chuva setores fortes da economia brasileira, como petróleo, mineração e energia elétrica.
O PSD de Kassab e Silveira teve candidato à Presidência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. No segundo turno, porém, foi um dos únicos do centro que se manteve neutro na disputa, apesar de Caiado particularmente ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL). A expectativa do comando da sigla é que o gesto de neutralidade seja recompensado por Lula na divisão dos ministérios – sendo que o partido detém três blocos da Esplanada na atual gestão. Kassab, contudo, deixa dúvidas quanto a sua força para manter uma bancada coesa, apontam fontes.
Apesar das articulações, fontes relatam que Lula tem evitado discutir ministérios por enquanto e teria sinalizado a interlocutores que só o faria após a volta da viagem à Turquia para participar da COP31, conferência do clima que acontece entre 9 e 20 de novembro. Os chefes de Estado são esperados para os dias 11 e 12.
Efeito Minas
Fontes dos setores ligados ao MME se dividem quanto à força de Silveira para se manter na posição atual. Há uma leitura de que ele saiu fortalecido das eleições presidenciais por ser o coordenador oficial da campanha de Lula em Minas Gerais, seu berço eleitoral. O ministro chegou a sair de férias na última semana da campanha para intensificar a agenda com prefeitos pelo interior.
A virada do petista no estado no segundo turno foi fundamental para a sua vitória. Além disso, o ministro também teria apoio de alguns grandes agentes dos quais se aproximou ao longo dos quase quatro anos à frente do MME, embora não seja uma unanimidade entre os empresários.
Por outro lado, alguns interlocutores entendem que os créditos da virada de Lula em Minas Gerais estão com o deputado federal André Janones (Rede-MG), que esteve à frente de uma mobilização digital entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Dessa forma, a permanência de Silveira dependeria de outros fatores, como a articulação para garantir a governabilidade de Lula no próximo mandato. A depender do cenário, o ministro poderia ser realocado para uma pasta com menos visibilidade, como o Ministério da Defesa, disseram fontes.
No primeiro turno das eleições presidenciais em Minas, Lula ficou atrás de seu principal adversário, com 43,33% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,24%. No segundo turno, assim como no cenário nacional, Lula virou o placar e ficou com 50,43% dos votos.
Sem candidatura
Silveira é próximo ao presidente e é tido como um dos ministros que frequentam o meio pessoal de Lula. Ele permaneceu à frente do MME durante a campanha eleitoral, abrindo mão de se candidatar a um cargo legislativo ou ao governo de Minas. Segundo fontes, o ministro atendeu a um pedido do presidente, após outros ministros de peso deixarem o governo para concorrer nas eleições.
Assim como Silveira, o presidente também manteve outros ministros próximos no governo no período eleitoral, como Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Alexandre Padilha (Saúde). No meio político, a expectativa é que esses nomes sejam recompensados por Lula pelo “sacrifício” de abdicarem das eleições.
Protagonismo
Com planos de voltar a comandar o MME, o MDB esteve à frente da pasta nos dois primeiros governos de Lula e durante o período de Dilma Rousseff na Presidência do Brasil. Em 2022, com a volta de Lula, o partido também foi tido como cotado para assumir o ministério, com os nomes do ex-ministro Eduardo Braga (MDB-AM) e do senador Renan Filho, que acabou assumindo o Ministério dos Transportes.
À época, próximo dos senadores Rodrigo Pacheco (hoje no PSB-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), que se revezaram na presidência do Congresso, Silveira assumiu a relatoria da chamada “PEC da Transição” no Senado, proposta de emenda à constituição que permitiu o aumento dos gastos públicos no primeiro ano do governo, em 2023. Foi com esse capital político e apoio dos dois senadores que ele assumiu o MME.





