29/09/2026 | 18h36  •  Atualização: 30/09/2026 | 15h25

ANEEL nega recurso da Enel SP sobre perícia em processo de caducidade

Foto: Enel

da Agência iNFRA

A diretoria da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) decidiu, em circuito deliberativo nesta terça-feira (29), negar o pedido de reconsideração feito pela Enel São Paulo contra o indeferimento da solicitação de prova pericial técnica relacionada ao evento climático extremo de dezembro de 2025. Com isso, o processo que analisa a possível recomendação de caducidade da concessão continua correndo normalmente.

A ANEEL negou o pedido de perícia em agosto por considerar a realização desta etapa desnecessária. A Enel SP argumentou, em seu pedido de reconsideração, que houve avanços operacionais por parte da empresa. A distribuidora também questionou os parâmetros e metodologias usados pela fiscalização e pediu manifestação de outra área técnica da reguladora.

Na decisão desta terça, a agência considerou que a competência técnica institucional da autarquia não afasta a possibilidade de realização de perícia externa, porém, no caso concreto, a medida não é necessária, já que a empresa não identificou fato relevante ainda não esclarecido, e nem demonstrou que a solução dependa de conhecimento especializado diferente do que já foi apresentado no processo.

A diretoria também considerou improcedente a alegação de que a perícia seria necessária para assegurar a imparcialidade, uma vez que a ANEEL exerce, por determinação legal, funções de regulação, fiscalização, instrução e decisão. O relator, diretor Gentil Nogueira, ainda ponderou em seu voto que a questão central não é a existência ou a severidade do fenômeno, mas a adequação da preparação, da resposta operacional e da capacidade de recomposição da concessionária.

O que diz a Enel

Em nota enviada à Agência iNFRA, a Enel São Paulo afirmou que a perícia independente teria como objetivo “aprofundar controvérsias relevantes que seguem sem solução com a ANEEL, embora a distribuidora tenha respondido a todas as questões levantadas pelo regulador”.

“Tendo em vista a inexistência no país de regulamentação específica para a atuação em eventos climáticos, a empresa busca uma avaliação técnica especializada e isenta sobre as divergências apontadas, em especial: a metodologia utilizada para medir o restabelecimento de energia nas primeiras 24 horas; a comparação de desempenho entre distribuidoras em eventos climáticos severos; e a resposta operacional apresentada”, informou.

A Enel São Paulo disse ainda ter tido “a melhor evolução do setor em indicadores de qualidade nos últimos anos, como tempo médio de atendimento e interrupções prolongadas”, e que seguirá demonstrando essa evolução e os investimentos realizados, bem como o “cumprimento integral das obrigações do contrato de concessão e do plano de recuperação apresentado à agência”.

*A matéria foi atualizada às 15h25 de 30/09/2026 para incluir o posicionamento da Enel

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