Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA
Diretores da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) defenderam nesta quinta-feira (16) o avanço das discussões para modernização da conta de luz no Brasil. Eles defenderam que as mudanças sejam implementadas com respeito ao consumidor, mas que uma nova estrutura tarifária é fundamental para dar mais previsibilidade e equilíbrio ao setor elétrico.
Durante a abertura do segundo Workshop sobre Modernização Tarifária, realizado pelo Instituto Abradee na sede da agência, o diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, destacou que o modelo de tarifa de energia atual foi projetado em 1975 e precisa de atualizações para incorporar sinais econômicos, mas com justiça tarifária aos consumidores.
“A gente não está falando aqui de retirar a rentabilidade dos negócios da distribuidora. Nós temos que cobrar o justo de quem pode pagar mais. Normalmente, quem tem condições de pagar mais, não quer”, defendeu Feitosa.
O diretor Gentil Nogueira ressaltou que a atualização do modelo tarifário tem se mostrado cada vez mais necessária diante da transição energética. Segundo ele, a modernização da tarifa, de volumétrica para multipartes, “pode ser o grande tema que a ANEEL vai entregar para a sustentabilidade do setor nos próximos anos”.
Ao citar os dez projetos de sandbox tarifário em andamento para testar possibilidades de novas tarifas, a diretora Agnes Costa ressaltou que precisa ser priorizado o que for melhor para o consumidor, permitindo escolhas mais inteligentes através de sinais econômicos. “A gente vive um momento muito privilegiado. Antigamente, era muito difícil você poder ter tantos dados para ajudar a desenhar tarifas, e para que consumidor olhe aquilo e possa tomar decisões diferentes”, analisou a diretora.
O diretor executivo de Regulação da Abradee, Ricardo Brandão, comparou as mudanças no sistema com o exemplo do setor de telecomunicações, que passou por reestruturações complexas no início dos anos 2000 e foi necessária uma reeducação do consumidor, que se adaptou bem às mudanças.
“O consumidor acabou se adaptando a esse modelo. Então, tenho convicção de que esse também não vai ser um processo simples de ser administrado, mas depois, em perspectiva, o consumidor vai aprender a fazer as escolhas e vai ter a sabedoria de identificar onde ele pode pagar menos. Porque ele já faz isso com outros bens e serviços”, disse Brandão.







