Marília Sena e Luiz Araújo, da Agência iNFRA
Os armadores de cabotagem já sinalizaram ao governo federal a necessidade de subsídio para o bunker de navios. De acordo com o diretor-executivo da Abac (Associação Brasileira de Cabotagem), Luis Fernando Resano, a medida é importante para manter a navegação de cabotagem brasileira em curso. A declaração foi feita durante painel que discutiu os impactos causados pela guerra do Oriente Médio na navegação, realizado na FPPA (Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos), nesta terça-feira (17).
Em outra frente sobre os efeitos do conflito na logística brasileira, a pressão de caminhoneiros sobre o preço do óleo diesel movimentou o governo, que vai apresentar novas medidas nesta quarta-feira (18). O ministro dos Transportes, Renan Filho, antecipou, em postagem nas redes sociais na noite desta terça, que serão adotadas ações “adicionais” para garantir a integralidade do cumprimento da tabela do preço mínimo do frete – tema de insatisfação dos motoristas e que engrossou a reclamação da categoria diante da escalada do diesel.
Segundo Renan, a fiscalização intensificada “ao longo dos últimos meses” sobre o cumprimento da tabela do frete, feita pelo Ministério dos Transportes e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), não foi suficiente. Sendo assim, segundo o ministro, “quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, como transportador, contratante, acionista ou controlador da empresa, com medidas que interromperão a irregularidade, desestimularão a reincidência e corrigirão distorções de mercado”.
“A meta é sair de um modelo de baixa efetividade para um modelo que vai garantir o cumprimento do preço mínimo do frete para o caminhoneiro”, declarou.
Piso do frete
A ANTT informou nesta terça-feira que atualizou os pisos mínimos do frete rodoviário, após a alta no preço do diesel S10. Segundo a agência, o preço médio do combustível chegou a R$ 6,89 por litro, alta de 13,32% em relação ao último reajuste, quando estava em R$ 6,08, acima do gatilho de 5% previsto na Lei 13.703/2018.
Integrantes do governo federal se reuniram nesta terça-feira à noite, na sede da Casa Civil, para discutir o assunto. Mais cedo, o presidente da ANTB (Associação Nacional do Transporte no Brasil), José Roberto Stringasci, afirmou ao Broadcast Agro que “o fechamento de rodovias será inevitável caso a paralisação de caminhoneiros avance, em meio à escalada do diesel e à insatisfação com o frete”.
O principal fator de pressão para a greve é o diesel que, mesmo após o anúncio da zeragem de PIS/Cofins e da subvenção ao combustível, teve o efeito reduzido com o reajuste de 11,6% anunciado pela Petrobras na última sexta-feira (13).
Bunker
Na navegação, o combustível representa de 30% a 60% dos custos de um navio. As empresas associadas à Abac já comunicam ao mercado a aplicação de custos adicionais para suportar a alta nos preços do bunker, que variam de R$ 180 a R$ 400 para contêineres de 20 pés e de R$ 360 a R$ 900 para contêineres de 40 pés. De acordo com a associação, o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) foi acionado sobre o assunto, mas ainda não havia dado retorno.
Impacto nas rotas e produtos
No cenário mundial, cerca de 10% da frota global de navios opera em rotas com destino ao Oriente Médio, o que já gera impactos na logística marítima. Os principais reflexos recaem sobre as exportações de milho, soja, farelo, açúcar e carnes. Os relatos são de que já há problemas para obter contêineres refrigerados. Nas importações, há preocupação com o abastecimento de fertilizantes (especialmente ureia) e combustíveis, como o diesel.






