22/05/2026 | 18h49  •  Atualização: 22/05/2026 | 19h52

Insegurança sobre LRCAP pode afetar construção de usinas, diz Eneva

Foto: Esfera

Marisa Wanzeller e Lais Carregosa, da Agência iNFRA

A insegurança sobre a homologação dos resultados do LRCAP 2026 (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) pode afetar a construção das usinas novas, especificamente aquelas com entrada em operação em 2028. A afirmação é do CEO da Eneva, Lino Cançado, no painel da Agência iNFRA no Fórum Esfera 2026, que acontece no Guarujá (SP) nesta sexta-feira (22).

“Então, por exemplo, esse evento [LRCAP] vai ter que entregar energia de usinas novas já em 2028. Estamos a dois anos e meio. Se [as usinas] não estiverem sendo construídas hoje, não vão estar prontas em 2028. Esse é um ponto a que a gente tem que estar atento”, declarou.

O executivo também destacou a insegurança sobre a contratação, após os investimentos realizados levando em consideração o planejamento do sistema. “O que a gente não pode é ter um planejamento onde os agentes, em face daquele planejamento, tomem decisões de alocação de capital, fazem investimento em antecedência, inclusive a eventos de contratação, que entendem que essa é uma necessidade estrutural do sistema, e a insegurança de saber se aquele evento de contratação tem valor ou não”, disse.

Insegurança jurídica
O economista Adriano Pires, sócio fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), destacou em participação no painel que a “possibilidade de cancelar o leilão de capacidade” reforça a percepção de insegurança jurídica no país. “Isso é insegurança jurídica na veia, porque as empresas se preparam para o leilão, ganham o leilão, compram o equipamento”, declarou.

O executivo avalia que o Brasil tem o desafio de ser mais “friendly” ao investimento privado, o que é dificultado por situações como essa, que reforçam “a questão da insegurança jurídica e regulatória, e até a questão ambiental”.

Na exploração de óleo e gás, por exemplo, Pires aponta que o país poderia aproveitar o momento político internacional para atrair petrolíferas que passam a buscar produção fora do Oriente Médio. “[O Brasil] é um país que tem uma diversidade energética fabulosa, tem fontes primárias para todo o gosto, mas não adianta ter essa diversidade energética se não for friendly ao investimento. Não adianta petróleo embaixo da terra, não adianta gás embaixo da terra, não adianta o potencial de vento que a gente tem, [o potencial] solar que a gente tem, se a gente não atrair investimento privado”, destacou.

Soluções energéticas
Em meio ao debate sobre aumento das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira e a necessidade de potência para o sistema, a presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Elbia Gannoum, pondera que o país tem potencial para construir soluções que passem pela complementaridade das fontes e das novas tecnologias.

“Nós precisamos modernizar a nossa regulação, a nossa política pública, para que possamos aproveitar as tecnologias existentes em conjunto e associadas aos recursos também existentes, e algumas vantagens comparativas que o país já tem”, disse a executiva no painel.

Ela destaca que as baterias, por exemplo, “são uma variável importante em uma equação para solucionar o curtailment”, os cortes de geração obrigatórios que têm causado prejuízo aos agentes.

Renovabilidade
O presidente da Axia Energia, Ivan Monteiro, destacou o compromisso da companhia com a renovabilidade do seu portfólio. A empresa saiu de empreendimentos termelétricos e da Eletronuclear com o compromisso de ter uma matriz 100% renovável, firmado logo após sua privatização.

Ivan também destacou o aumento dos investimentos para cerca de R$ 14 bilhões em 2026 e 2027. “O Brasil tem que ambicionar jogar Champions League, é lá que o Brasil tem que estar, e tem todas as condições naturais e todas as condições pelos seus empreendedores privados de fazer isso”, afirmou.

O diretor de Relações Institucionais da Vale, Kennedy Alencar, afirmou que o Brasil é um dos países que podem liderar o fornecimento dos minerais críticos e estratégicos para a transição energética.

“O Brasil tem a tabela periódica de A a Z”, destacou. De acordo com ele, é por meio disso que o país vai mitigar e combater os efeitos das mudanças climáticas. “É por meio dos minerais críticos e estratégicos que nós vamos conseguir criar os elementos para a maior sustentabilidade e preservação ambiental, e compartilhar valor com as comunidades e os territórios. Então, a mineração tem o papel fundamental nessa jornada de descarbonização.”

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