Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA
A Equinor enxerga sinergias do bloco Rodocrosita com o campo de Bacalhau, disse a VP de Gestão de Ativos da Equinor no Brasil, Leticia Andrade, em conversas com jornalistas após o leilão de partilha realizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) nesta quarta-feira (7) no Rio de Janeiro (RJ). A companhia arrematou Rodocrosita com 70% de participação, em parceria com a Galp, que detém a parcela restante (30%), e com percentual de excedente em óleo de 15,52%.
“[Bacalhau] é uma área que a gente já conhece e está entendendo cada vez mais, conforme a produção do campo vai avançando. Ou seja, existe a possibilidade de potencial sinergia”, disse Andrade. Tanto o bloco quanto o campo estão situados no pré-sal da Bacia de Santos.
A norueguesa também arrematou Rubi, localizado na mesma bacia, com 100% de participação e percentual de excedente em óleo de 25,02%. Para este bloco, a Equinor avalia a possibilidade de fazer um desenvolvimento independente, mas ainda é muito cedo para bater o martelo. “Vamos fazer as análises para decidir qual rumo tomar”, afirmou a representante da Equinor.
Leticia comentou também sobre áreas de nova fronteira, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas. Para a executiva, existem riscos geológicos, comerciais, regulatórios e de licenciamento nessas regiões, sendo necessário uma análise conjunta desses fatores para bidar. “Mas olhamos essas áreas, como quaisquer outras, mas sem nada previsto por enquanto”, completou.
Falta de disputa
Por fim, Andrade avaliou que a falta de disputa pelas áreas do leilão foi motivada, em parte, pela estratégia de cada empresa e pela maturidade das bacias. “Em bacias mais maduras, as possibilidades de desenvolvimento independentes passam a ser menores. Por isso que muitas empresas buscam áreas onde já exista uma infraestrutura próxima”, explicou.
Já o presidente da PPSA (Pré-Sal Petróleo S/A), Luis Fernando Paroli, acredita que a falta de disputa pelos blocos está relacionado ao caixa das empresas e à dificuldade de atestar viabilidade econômica no pré-sal. “Estamos falando de águas profundas, ou seja, há necessidade que esses campos sejam muito grandes para serem viabilizados economicamente. A Prio, por exemplo, comprou duas áreas que estão próximas de ativos do seu portfólio, onde talvez haja potencial para um tie-back. Além disso, o capital é finito, e as empresas precisam fazer escolhas”, explicou a jornalistas.
Os blocos adquiridos pela Prio estão localizados ao norte da Bacia de Campos, próximos aos campos de Wahoo e Frade. Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (7), a companhia afirmou que avaliará os recursos prospectivos dos blocos, que em caso de sucesso, poderão ser objeto de desenvolvimento através de tie-back ao FPSO Valente, localizado no campo de Frade.
No entanto, o executivo afirmou que o leilão foi um sucesso, com recorde de áreas arrematadas em área de partilha. “Os ágios foram muito bons. O pré-sal está mudando, mas também está mudando a forma como ele é explorado. Tem ainda muita coisa ainda para sair do pré-sal, e esses últimos leilões mostram isso”, finalizou Paroli.





