13/05/2026 | 17h41

Magda reitera Petrobras na Bahia por petróleo, biodiesel e fertilizantes

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

Na véspera da visita do presidente Lula à Fafen-BA, a fábrica de fertilizantes da Petrobras na Bahia, a presidente da estatal, Magda Chambriard, reiterou a intenção de manter e intensificar as atividades de E&P (exploração e produção de óleo e gás), e produção de biodiesel e fertilizantes naquele estado com investimentos crescentes.

A executiva destacou que, para além dos esforços voltados a ampliar a produção e o escoamento de gás natural, a Petrobras investiu R$ 100 milhões para reativar a Fafen-BA, que, no fim de janeiro, voltou a produzir ureia, o fertilizante mais consumido no país. Em paralelo, a empresa planeja investir outros R$ 115 milhões em sua usina de biodiesel no município de Candeias (BA) e outros projetos de combustíveis renováveis.

Por fim, ela lembrou que a estatal também pretende investir US$ 3,5 bilhões (R$ 17,4 bilhões no câmbio atual) em E&P, para perfurar cerca de 100 novos poços e fazer intervenções em estruturas já existentes do Recôncavo Baiano até 2030.

“A Petrobras jamais saiu da Bahia. A Bahia é importante para nós e estamos felizes em promover esses investimentos”, disse Magda. “O objetivo é mais do que dobrar a produção de petróleo e gás no estado da Bahia em cinco anos”, continuou.

A posição de Magda, além de se inserir no calendário de anúncios do presidente Lula em ano de eleição, demarca a posição da gestão de reforçar a presença da empresa no estado.

O governo anterior, de Jair Bolsonaro, além de vender ativos como campos maduros baianos e paralisar a fábrica de fertilizantes, chegou a esvaziar sua sede estadual, a Torre Pituba, em 2019, indicando a intenção de reduzir as atividades locais. A ideia era enxugar as atividades da estatal e concentrá-las em E&P, com foco em áreas mais lucrativas, como o pré-sal das bacias do Sudeste. Isso foi revertido a partir de 2022, com a volta de Lula ao Planalto.

Fafen-BA
Especificamente sobre a produção de fertilizantes, Magda detalhou que a Fafen-BA está produzindo 1,3 mil toneladas de ureia por dia, volume que, se anualizado, equivale a 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados (8 milhões de toneladas ao ano). Do volume produzido na planta baiana, 55% é consumido no próprio estado e o restante segue para outras regiões do país.

A presidente da Petrobras lembrou que a ideia é ter, em 2028, quatro fábricas de fertilizantes operando, conta em que considera as duas unidades do Nordeste (Bahia e Sergipe), uma no Paraná (Ansa) e a última no Mato Grosso do Sul (UFN-3), que ainda deve ser concluída.

“Então seremos capazes de fornecer uréia e outros fertilizantes para atender 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados”, disse.

Em seguida, o gerente executivo de processamento de gás natural, Wagner Felício, detalhou que, se a Fafen-BA dá conta de 5% do consumo nacional de nitrogenados, enquanto a Fafen-SE responde por 7%, a Ansa por outros 8%, a UFN-3 responderá, sozinha, por 15% do volume consumido. Segundo ele, já há estudos para realização de “revamps” (modernização com foco em aumento de produção) nessas unidades, em linha com o que acontece no parque de refino.

Lucratividade e preço do gás
Magda e Felício frisaram que as operações de fertilizantes serão viáveis do ponto de vista financeiro em função do barateamento do preço do gás natural da própria Petrobras usado como matéria prima no processo. Até então, as fábricas de fertilizantes da Petrobras eram apontadas como deficitárias pelos investidores privados da empresa e seus representantes no Conselho de Administração.

Segundo Felício, essa queda no preço do gás consumido internamente pela Petrobras só foi possível pelo aumento da oferta, no que ele destacou a entrada de novos 21 milhões de metros cúbicos de gás do pré-sal todos os dias pelo gasoduto Rota-3, na costa Sudeste.

Nas palavras de Magda: “A fábrica voltou a operar porque conseguimos baixar o preço do gás. Muita gente acha que dá para baixar o preço (do gás) por canetada. O que baixa o preço é produzir em larga escala. Quando se ganha escala, a gente abaixa o preço. Ainda não revogaram a lei da oferta e da procura. No Brasil, a procura por gás natural e fertilizantes é muito grande e, por isso, a oferta também tem que ser grande. Assim conseguimos reduzir preço e gerar uma operação de fertilizantes a preço compatível com o custo da fábrica”, disse.

A fala embute crítica indireta, por exemplo, ao programa Gas Release, pacote de medidas buscadas pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para reduzir a presença da Petrobras no mercado de gás natural, estimulando a produção por outros players, o que aumentaria a competição e, supostamente, poderia levar preços finais de molécula mais baixos.

Segundo a presidente da Petrobras, a empresa conseguiu dar “novo fôlego” à frente de fertilizantes, que passou a ser encarada como destino para o gás produzido pela empresa. Nessa linha, Felício afirma não se tratar de uma “aventura”. “É, simplesmente, uma projeção de quem tem capacidade de produzir e consumir gás”, disse o gerente, listando outras frentes de autoconsumo de gás, como o negócio de termelétricas, a geração de hidrogênio para uso em refinarias e o aquecimento de fornos em unidades industriais. “Isso traz uma capacidade muito grande de estabelecer equilíbrio entre oferta e demanda do gás associado ao petróleo, o que é extremamente favorável ao negócio de fertilizantes”, continua.

“Mas isso precisa ser financeiramente rentável. Existe um apelo de país, e nós trabalhamos por isso, com implicações na segurança alimentar e em um agronegócio mais forte. Mas a gente traz o negócio para a prancheta e é preciso mostrar que é rentável. Se não, não vai à frente”, afirma.

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