27/06/2026 | 19h43

PF indicia diretor-geral da ANM em caso de mineração ilegal em MG

Foto: Ricardo Botelho/MME

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

A PF (Polícia Federal) pediu indiciamento do diretor-geral da ANM (Agência Nacional de Mineração), Mauro Henrique Sousa, em investigação sobre mineração sem licença ambiental. O relatório da PF aponta o favorecimento de empresário do setor, supostamente envolvido na atividade ilegal, por meio da interceptação de ligações e mensagens trocadas com o dirigente da autarquia.

O inquérito policial foi instaurado para apurar irregularidades na Mina Granja Corumi, em Belo Horizonte (MG). O pedido de indiciamento foi apresentado pela representação regional da PF em Minas Gerais, dentro da deflagração da Operação Parcours, que está ligada a outra ação policial no setor, a Operação Rejeito – esta resultou na prisão no ano passado de outro então diretor da ANM Caio Trivellato Seabra Filho, que permanece afastado do cargo.

Desta vez, a PF indica, no relatório mais recente, que pôde reunir elementos técnicos, documentos e indícios de provas, inclusive com troca de mensagens (telemáticas) entre as pessoas supostamente envolvidas, que apontam para atuação controversa de agente público no âmbito da administração federal.

Na prática, grupos econômicos teriam usado de acesso ao dirigente da ANM para deixar de executar adequadamente condicionantes, aproveitar matéria-prima de erosões e assoreamentos para relatar situações de emergência com o intuito de obter autorização pontual para remover e comercializar minério.

Ao propor o indiciamento do dirigente da ANM, a PF relata que houve aproximação indevida do diretor-geral com o empresário Luis Fernando Franceschini da Rosa, dono das empresas Empabra e Green Metals. A suposta atuação de Sousa para favorecer o grupo seria o processo envolvendo o PFM (Plano de Fechamento de Mina).

No relatório, a PF aponta que chegou a localizar diversas mensagens e mais de 60 ligações entre o diretor-geral e o empresário entre novembro de 2023 e março de 2025.

Outro lado
Em nota, a ANM informou que Sousa, que se encontra em viagem ao exterior, “não tem conhecimento do suposto indiciamento mencionado e, portanto, não irá se manifestar sobre o tema neste momento”. Questionada sobre o indiciamento, a agência também informou que não foi comunicada oficialmente sobre o relatório final da investigação.

“A agência acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar as informações que forem solicitadas no âmbito das investigações”, destaca o posicionamento.

A ANM reforçou ainda que “atua no exercício de suas competências legais” e regulatórias e adota “medidas cabíveis” sempre que formalmente demandada ou quando identificadas situações que exijam providências.

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