Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
As exportações brasileiras de petróleo bateram um novo recorde em 2025, como vem acontecendo desde 2023. Ao todo, foram enviados para fora do país 726 milhões de barris, a uma média de 1,98 mbpd (milhão de barris por dia), volume 10% maior que o registrado em 2024, conforme dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) compilados pela consultoria de preços StoneX.
Esse recorde já era esperado pelo mercado e chama atenção a consolidação da China como maior comprador do produto brasileiro, com 45% do total ou 880 mil bpd. As interações comerciais da China com a América Latina vêm sendo colocadas em xeque pelo governo dos Estados Unidos, em um processo que escalou nos últimos dias com o bombardeio norte-americano à Venezuela e o bloqueio de cargas destinadas ao país asiático.
Outros destinos
A Ásia como um todo ficou com mais de 60% do total do óleo exportado pelo Brasil, evidenciando a importância do continente para a pauta brasileira, com Índia, Coréia do Sul e Singapura se destacando entre os compradores.
Pivô das instabilidades no mercado mundial esta semana, os Estados Unidos foram o segundo principal destino das vendas de petróleo do Brasil, mas bem distantes da China, com apenas 10,8% do total ou 210 mbpd. O envio de cargas aos EUA caiu com relação ao ano anterior, quando representou 13,7%. O recuo, dizem os técnicos da StoneX se deve tanto ao aumento da produção de xisto no mercado norte-americano, como também ao avanço da participação de outros países na pauta importadora dos EUA. Cabe observar que o Brasil produz em boa medida óleo do tipo médio-leve, enquanto a maior necessidade de importação americana é de produto pesado, exatamente o tipo produzido pela Venezuela, por exemplo.
Em conjunto, os países da União Europeia ficaram com 20% ou 400 mbpd, sobretudo Espanha (8%), Holanda (7%) e Portugal (4%). Executivos da Petrobras, que domina o volume enviado para fora do país, tem destacado a importância desses mercados, em função dos prêmios pagos pelo petróleo da companhia com baixo teor de enxofre e menor pegada de carbono. É possível, portanto, que o fluxo de produto para a Europa siga aumentando.
Ano promissor
Para 2026, aponta a StoneX em relatório, as expectativas para exportação de petróleo se mantêm “positivas”.
Do lado da oferta, o Programa Anual de Produção da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), usado pelos produtores para previsões da oferta, considera uma produção de 4,2 mbpd no período, o que representa um aumento de 13% frente a 2025. Grande parte desse crescimento ainda virá do pré-sal das Bacia de Santos e de Campos.
Já para a demanda, a expectativa é de volume parecido ou estável frente ao de 2025. “Apesar de haver um espaço para novos avanços produtivos, há um entendimento de que esse crescimento deve ser pequeno, conforme o setor de refino já trabalha com baixa capacidade ociosa”, diz o documento. O saldo de uma oferta maior e demanda estável é justamente mais produto disponível para venda ao exterior.
Diagnóstico 2025
No ano que passou, o avanço das exportações veio em linha com aumento da produção nacional total: dados da ANP atualizados até novembro indicam uma produção nacional média de 3,73 mbpd, alta de 11,5% ante 2024. Esse aumento se deve à perfuração de novos poços e entrada em operação de navios-plataforma principalmente a partir do segundo trimestre do ano.
Já do lado da demanda doméstica para refino houve recuo de 0,8%, totalizando 1,97 mbpd no período. “Mesmo com um fator de utilização das refinarias acima de 90% ao longo de quase todo o ano, foi observado que a parada geral programada da Rnest (Refinaria Abreu e Lima, da Petrobras) ao longo do primeiro trimestre e, depois, as paradas programadas de unidades na Replan e Refap (Refinarias de Paulinia e Alberto Pasqualini, também da Petrobras) no segundo trimestre contribuíram para uma queda maior do processamento de petróleo na primeira metade do ano”, detalharam os analistas da StoneX. Esse descolamento entre oferta e demanda, já em 2025, aumentou e justificou o excedente exportável no ano.








