13/04/2026 | 10h00  •  Atualização: 13/04/2026 | 11h22

Horário de verão volta à pauta e decisão deve ser política

Foto: Domínio público

Lais Carregosa, Gabriel Vasconcelos e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA*

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) manteve a recomendação ao MME (Ministério de Minas e Energia) da adoção do horário de verão, disse o diretor de Planejamento do órgão, Alexandre Zucarato, à Agência iNFRA. Ele destaca, no entanto, que “essa é uma decisão do governo porque impacta transversalmente outros setores”. A avaliação sobre a retomada da medida é uma das ações estudadas para garantir o atendimento à ponta de carga neste ano.

A necessidade de adoção do horário de verão já foi estudada nos últimos dois anos, e não prevaleceu. Segundo fontes, a análise deixou de ser uma questão técnica e se tornou política. Em 2026, a avaliação é de que pesará para a decisão o fator eleitoral. 

O ex-diretor-geral do ONS e consultor Luiz Carlos Ciocchi diz que, apesar do impacto da medida no setor elétrico, que poderia auxiliar a operação do sistema, algumas áreas da economia podem ser prejudicadas, o que deve ser considerado pelo governo. “O horário de verão tem prós e contras, não só no sistema elétrico, mas para negócios e toda a economia do país. Ajuda alguns setores, como turismo, por exemplo, mas para outros setores como transportes e aviação complica”, disse. 

O tema também está presente em um parecer técnico do TCU (Tribunal de Contas da União), da quinta-feira (9), com sugestões de diligências junto ao MME sobre o custo de alternativas ao LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) de 2026, cuja sistemática está sob fiscalização na corte de contas. Entre as opções ao certame está o horário de verão em 2026. 

Necessidade técnica
O horário de verão passou a ter um novo objetivo com a mudança na matriz elétrica brasileira. Quando começou a ser adotado anualmente, a partir de 1985, a ideia era promover economia no consumo de energia, já que a população teria mais tempo de luz natural. A medida foi interrompida em 2019.

Agora, a retomada do horário de verão teria outra função: deslocar o pico de consumo para o período em que ainda há geração solar. Em 2024, o ONS publicou um estudo em que afirmava que  poderia aumentar o aproveitamento solar e eólico, além de reduzir a carga máxima em até 2,9%, com a sua adoção.

Condições do sistema
Segundo Alexandre Zucarato, a transição do período úmido para o período seco em 2026 poderá representar um desafio técnico para o ONS, a depender do volume de chuvas. Isso se deve à dependência de disponibilidade hídrica para o atendimento da ponta – horário de pico de demanda no sistema, geralmente ao fim da tarde e início da noite –, disse o diretor na última sexta-feira (10) no Fórum de Líderes de Energia, no Rio de Janeiro. 

“De outubro a dezembro a carga começa a subir naturalmente, principalmente a carga de ponta. Se o período chuvoso atrasa, você tem onda de calor e essa ponta fica mais alta ainda. Só que sem chuva você tem menos potência hidráulica disponível. Então, tem uma preocupação natural que acontece em toda a transição de período seco para período chuvoso, que é a disponibilidade de potência para fazer [o atendimento] à ponta de carga”, disse Zucarato à imprensa. 

Segundo ele, há uma semelhança no abastecimento dos reservatórios ao comparar 2025 e 2026, mas a carga no horário de ponta cresceu cerca de 3 GW (gigawatts) neste ano, o que torna o atendimento “um pouco mais complexo”.  

Conjunto de ações
Além da avaliação sobre o horário de verão, há um conjunto de outras ações em estudo nos órgãos do setor elétrico, sob comando do MME. A Agenda Eletroenergética de 2026 reúne um conjunto de 27 medidas possíveis para atendimento da demanda no ano, com foco no período seco.

Também consta entre as ações a antecipação dos contratos do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência), cujas diretrizes foram colocadas em consulta pública pelo MME em janeiro. 

Outras possibilidades na mesa são ampliar a contribuição de potência da UHE Belo Monte, no período seco, utilizando o reservatório intermediário; reduções de vazão mínima na bacia do rio Paraná; prorrogação da regra que permite oferta flexível de termelétricas; e incentivar a adesão à resposta da demanda por grandes consumidores, incluindo o desenvolvimento de novo produto.

Todas essas medidas mapeadas estão em estudo e poderão ser acolhidas pelo CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) e pelo MME ao decorrer do ano conforme os cenários de atendimento ao Sistema Interligado Nacional.

*Colaborou: Marisa Wanzeller

Tags:

Solicite sua demonstração do produto Boletins e Alertas

Solicite sua demonstração do produto Fornecimento de Conteúdo

Solicite sua demonstração do produto Publicidade e Branded Content

Solicite sua demonstração do produto Realização e Cobertura de Eventos

Inscreva-se no Boletim Semanal Gratuito

e receba as informações mais importantes sobre infraestrutura no Brasil

Cancele a qualquer momento!