26/08/2026 | 20h15

Bancos devem esperar definições sobre custeio para financiar baterias

Foto: Lefosse/Divulgação

Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA*

Instituições financeiras devem aguardar definições mais claras sobre a remuneração dos sistemas de armazenamento para entrarem forte no financiamento de projetos para o primeiro leilão de baterias. Apesar do apetite e avaliação de que o segmento está maduro, a tendência é que os bancos esperem posições mais concretas, como sobre o custeio do encargo que vai remunerar esses agentes, para um cálculo adequado dos riscos. 

Esse entendimento foi compartilhado por representantes de instituições financeiras durante o Lefosse Energy Day 2026, que foi realizado nesta quarta-feira (26) em São Paulo. Para Júlio Meirelles, que lidera a área de energia no project finance do Santander, há necessidade de clareza e previsibilidade nos modelos de negócios e nos riscos para financiar projetos de armazenamento.

“Quanto mais incertezas houver, seja uma incerteza de atraso [de realização do certame], seja uma incerteza por risco de judicialização ou de risco de inadimplência, a gente vai trabalhando isso nas modelagens e a consequência disso para o projeto e também para a alavancagem”, disse Meirelles.

A questão do rateio do encargo é relevante por afetar diretamente o risco de inadimplência, segundo o executivo do Santander. Logo, é preciso saber qual é a base-pagadora dessa remuneração das baterias para que seja precificado esse risco e que haja previsibilidade para os investimentos e financiamentos.

Marcelo Girão, head de project finance do Itaú BBA, afirmou no evento que as perspectivas do mercado financeiro são positivas e que as baterias são ativos atrativos para o financiamento. Mas que, para medir o quanto cada projeto é bancável, “ainda há um caminho a ser percorrido, como saber quem paga a conta”. 

Ele destacou que apesar de ser uma novidade no mercado brasileiro, os bancos já conhecem projetos desse tipo e os financiam em outros países, tendo similaridade com a tecnologia e modelos de financiamento já desenvolvidos para isso.

Já Miriam Diniz, diretora da Álava Energia, defendeu que o segmento “não deveria aceitar improvisos”. “A questão do custo e quem paga a conta precisa ser direcionada, porque no fim do dia, quem paga isso é o consumidor”, afirmou. Ela ainda lembrou que além dos licitantes do leilão, a incerteza recai sobre os negócios já existentes de geração.

“Qual tratamento vai ser dado para as geradoras que já estão em operação? Vão pagar o encargo? Isso não está definido e precisa ter clareza. E quem tem PPA [acordo de compra e venda] vendido? Isso vai impactar muito os modelos de negócios, colocando riscos que não foram precificados”, disse Miriam.

*O repórter Geraldo Campos Jr. viajou à São Paulo convite da Lefosse.

Tags:

Solicite sua demonstração do produto Boletins e Alertas

Solicite sua demonstração do produto Fornecimento de Conteúdo

Solicite sua demonstração do produto Publicidade e Branded Content

Solicite sua demonstração do produto Realização e Cobertura de Eventos

Inscreva-se no Boletim Semanal Gratuito

e receba as informações mais importantes sobre infraestrutura no Brasil

Cancele a qualquer momento!