19/02/2026 | 12h00

Conteúdo local para baterias é recebido com cautela pelo setor

Foto: Banco de Imagens/Pixabay

Lais Carregosa, da Agência iNFRA

A sinalização de exigência de conteúdo local no primeiro leilão de baterias do país foi recebida com cautela pelo setor de armazenamento. Para os agentes consultados pela Agência iNFRA, o Brasil precisa de planejamento estratégico de médio a longo prazo para incentivar o crescimento de uma cadeia produtiva nacional – algo que não será alcançado com a regra no primeiro certame. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que a medida poderia estar nas diretrizes do leilão.

O diretor de Relações Institucionais da Casa dos Ventos, Fernando Elias, diz que a exigência “não faz sentido” no primeiro certame. “Não faz sentido, neste momento, colocar uma condição porque só vai afastar a entrada dessa tecnologia no Brasil”, declarou. Segundo Elias, a regra de conteúdo local poderia aumentar os preços de contratação de armazenamento e não ser suficiente para atender à demanda. 

“Talvez lá na frente, quando a bateria se consolidar no mercado, de fato, aí sim faz sentido trazer a cadeia de instalação para cá. Mesmo com Moura, WEG, [a produção nacional] não tem capacidade de atender neste primeiro momento”, frisou.

Nesse sentido, o presidente da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Markus Vlasits, afirma que “um único leilão não faz política industrial”. “Esse quesito de conteúdo local precisa ser embasado no planejamento de armazenamento um pouco mais macro, que engloba um prazo de uns dez anos, pelo menos.”

Ele destaca também que é preciso entender quais seriam os critérios para atendimento à regra de conteúdo local, já que um projeto de armazenamento para reserva de capacidade pode contratar produtos e serviços nacionais para a conexão ao sistema de transmissão, engenharia, sistemas de refrigeração e software, que já contam com uma indústria mais consolidada. “Existem várias camadas de conteúdos que, independente de uma diretriz explícita, serão locais”, disse.

A Absae estima que cerca de 20 GW (gigawatts) de capacidade podem ser ofertados no leilão de baterias deste ano.

Leilão em junho
O ministro Alexandre Silveira disse na última semana que o leilão de baterias deve ser realizado até junho e suas diretrizes podem prever conteúdo local. 

Silveira mencionou ainda uma eventual parceria entre o governo e as empresas participantes do leilão, para “recepcionar profissionais da engenharia brasileira na China” para, quando retornarem, “agregar inteligência à nossa indústria de baterias nacionais”.

Planejamento
O PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035, divulgado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) na última semana, prevê uma expansão das tecnologias de armazenamento a partir de 2028, quando somarão 631 MW (megawatts) de capacidade à matriz elétrica. O número cresce até 2035, quando a capacidade será de 6,6 GW.

Para os agentes, já há espaço para o primeiro leilão contratar 5 GW de baterias. A Absae estima, por exemplo, que o preço-teto do certame poderia ficar abaixo de R$ 1,6 bilhão/MW.ano – ou seja, valor menor que o aprovado para as térmicas do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência), marcado para março deste ano.

Já a Casa dos Ventos estima valores em torno de R$ 1,05 milhão/MW.ano a R$ 1,4 milhão/MW.ano. A diferença de valores está associada à localização do armazenamento, se associadas a parques eólicos e solares ou independentes, explica Fernando Elias.

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