Gabriel Vasconcelos e Lais Carregosa, da Agência iNFRA
O diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) Pietro Mendes, relator da proposta de desconcentração do mercado de gás, rebateu nesta sexta-feira (7) os argumentos da Petrobras contra o programa. A estatal afirma que o programa, conhecido como Gas Release, só vai transferir molécula para “atravessadores”, fomentando essa etapa intermediária sem necessariamente levar à redução de preço. Pietro afirma, no entanto, que a Petrobras é o próprio “grande atravessador” do mercado, a ser enfrentado.
“O gás é caro porque temos um atravessador que encarece o preço do gás natural no Brasil”, disse, ao destacar que, na média, a companhia compra o insumo a US$ 3,75 por milhão de BTU (unidade de medida do gás) e vende o gás processado por US$ 12,37 por milhão de BTU. Segundo ele, isso só é possível pelo controle que a Petrobras exerce sobre infraestruturas de escoamento e processamento de gás, o que tem forçado outros produtores, inclusive a União, a vender seus volumes para a estatal.
Pietro abordou, também, o papel dominante da Petrobras na importação de volumes da Bolívia. Segundo ele, uma comitiva do governo chegou a visitar o país em busca de oportunidades para diversificar importadores, mas logo depois a Petrobras comprou todos os volumes eliminando a possibilidade de competição.
Já sobre “ameaças” de exportar GNL (Gás Natural Liquefeito) no lugar de destinar ao mercado interno, Pietro disse que o argumento funciona como “pressão regulatória” sobre a ANP. Afirmou ainda que, se a iniciativa de exportação ganhar força, caberia ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e à ANP “se debruçar sobre o tema em nome da garantia do abastecimento”.





