27/08/2026 | 15h09  •  Atualização: 27/08/2026 | 15h10

Empresas chinesas indicam apetite para leilões portuários, diz ministro

Foto: Vosmar Rosa/MPor

da Agência iNFRA

Os próximos projetos portuários que o governo pretende leiloar, como os de concessão de canais de acesso, atraem o interesse de companhias chinesas, embora a financiabilidade dos empreendimentos e o custo de capital no Brasil ainda sejam um ponto de atenção dos investidores estrangeiros. O diagnóstico é feito pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que segue até sábado (29) em agenda de reuniões na China que começaram nesta segunda-feira (24).

“Um dos pontos que foi colocado é a questão da financiabilidade desses projetos e ainda a questão do custo de capital, dos juros altos, no Brasil. Mas, mesmo fazendo essas ponderações, [as empresas estão] demonstrando interesse em participar dos projetos”, disse Franca em conversa com a Agência iNFRA.

Segundo o ministro, que esteve reunido com a presidente do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento) – o Banco dos BRICS – Dilma Rousseff, ficou acertada uma nova reunião entre as áreas técnicas da pasta e do banco em que o MPor vai apresentar os projetos portuários ao NDB. A ideia é identificar empreendimentos que possam ter um perfil mais adequado para obter financiamento do banco. Hoje, a instituição financeira não tem em sua carteira projetos portuários ou aeroportuários do Brasil.

Segundo Franca, nos encontros, as empresas demonstraram apetite pelos projetos de concessão hidroviária no país e nos arrendamentos portuários previstos para este e o próximo ano.

O ministro citou o Tecon Santos 10 – o maior terminal para movimentação de contêineres projetado para o Porto de Santos, que ainda está em discussão sobre a modelagem do certame –, a concessão para o terminal no Porto de São Sebastião (SP) e o arrendamento para granéis sólidos em Vila do Conde (PA), além dos canais de acesso. “Estivemos com a Hutchison Ports, que é uma empresa de Hong Kong, muito interessada nos processos que estamos para lançar no setor portuário”, comentou.

O governo já fez uma primeira concessão de canal de acesso portuário para Paranaguá (PR), que foi arrematada pelo consórcio formado pela operadora FTS e pela empresa belga de dragagem Deme no ano passado. Essa disputa já teve a entrada da chinesa CHEC Dredging – que é subsidiária da SDC (Shanghai Dredging Company), parte do grupo estatal CCCC (China Communications Construction Company).

De acordo com o ministro, nas conversas, a SDC se mostrou interessada também nas próximas concessões de canal que serão lançadas e direcionadas aos portos de Itajaí (SC) – projeto mais avançado –, de Santos e também do Rio Grande do Sul (o projeto de concessão integrada com a Lagoa Mirim).

A CCCC já está no Brasil em dois empreendimentos de infraestrutura: no túnel Santos-Guarujá, como acionista da portuguesa Mota-Engil, e na PPP para construção da ponte entre Salvador e a Ilha de Itaparica, na Bahia. O ministro também se reuniu com o grupo COFCO, a CSCEC (Corporação Estatal de Engenharia de Construção da China), e a China Merchants Port Holdings, além de a agenda prever encontro com a Cosco Shipping.

“O mundo está de olho no Brasil, querendo conhecer as oportunidades de investimentos que nós temos no nosso país. Estão percebendo que temos vivenciado um grande ciclo de investimento na nossa infraestrutura”, afirmou Franca.

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