Vinicius Werneck, da Agência iNFRA
O vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Rumo, Guilherme Machado, disse, nesta sexta-feira (8), que a empresa foi provocada pelo governo para avaliar uma solução interina até que se tenha uma resolução definitiva sobre a devolução da Malha Sul. A ferrovia será licitada novamente pelo governo, mas ainda não há data para o leilão. Enquanto isso, o contrato da Rumo irá vencer em março do próximo ano.
“É um cenário diferente. Aproximadamente 20 milhões de toneladas sendo movimentadas. Então precisa de uma solução com um pouco mais de detalhamento”, afirmou Machado durante teleconferência com investidores para apresentar os resultados da Rumo no primeiro trimestre de 2026. O executivo afirmou que a operação do trecho é deficitária e que “não tem sustentabilidade olhando para frente”.
Como mostrou a Agência iNFRA, as negociações sobre o futuro da Malha Sul devem levar a uma prorrogação de 24 meses do contrato, que vence em março de 2027. Durante uma audiência pública, no início de abril, na Câmara dos Deputados, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) detalhou que a proposta da reguladora para a continuidade das operações incluem a execução de reparos em estruturas como pontes e túneis, com divisão dos custos e uso de recursos públicos.
Neste contexto, a Rumo poderia utilizar um seguro de R$ 35 milhões pelos danos provocados pelas chuvas de 2024. Já o governo destinaria cerca de R$ 88 milhões, relativos às duas últimas parcelas de outorga da concessão, resultando em pouco ou nenhum custo adicional.
Nova concessão
O estudo elaborado pela Infra S.A. para a nova modelagem propôs a divisão da Malha Sul em três trechos: Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Rio Grande e Corredor Mercosul. A proposta também reduz o tamanho da concessão, que sairia dos 7,2 mil quilômetros para cerca de 4,2 mil.
O governo afirmou na audiência em abril que a modelagem do próximo contrato, ainda acompanhada por questionamentos, corrige distorções, incluindo a previsão do fracionamento da malha e de aportes públicos para viabilizar obras.
Em fevereiro, o MPF (Ministério Público Federal) encaminhou ofício ao governo cobrando definições, afirmando que a segmentação pode resultar em inviabilidade econômica de alguns trechos.
Ferrovia em Mato Grosso
Ainda durante a teleconferência com os investidores, Pedro Palma, diretor-presidente da Rumo, destacou que a empresa está otimista para a conclusão do terminal da FMT (Ferrovia Estadual de Mato Grosso) e que as obras não tiveram “surpresas” até o momento, com testes de operação previstos para maio.
“Para a primeira fase do projeto estamos bastante aderentes para conclusão da obra dentro do prazo. A gente vai se estruturando para no terceiro trimestre começar essa operação. […] O terminal tem capacidade para 10 milhões de toneladas de grãos por ano, mas a gente vai ocupar essa toneladas incrementais ao longo de alguns anos”, detalhou Palma.
O diretor-presidente explicou que a forma como a capacidade será ocupada vai ser decidida taticamente, “lendo o mercado e a conjuntura do momento”, deixando claro que não haverá um incremento de 10 milhões de toneladas já em 2027. O projeto da FMT prevê a implantação de cerca de 743 km, em cinco fases, para interligar Rondonópolis (MT) e Lucas do Rio Verde (MT), com um ramal destinado a Cuiabá (MT).





