da Agência iNFRA
Enquanto o poder público avalia como facilitar de maneira centralizada o pagamento do pedágio free flow, o mercado de concessionárias já tem se movimentado para fazer integrações, mesmo que parciais e voltadas a contratos com sinergia geográfica. É o caso da iniciativa liderada pela Nova Rodovias, plataforma que reúne duas concessões rodoviárias federais, a Nova 381, em Minas Gerais, e a Nova 364, em Rondônia.
Em parceria com a Way Brasil, administradora da Way 262 e da Way 364, as operadoras lançaram um projeto próprio de interoperabilidade que permite ao usuário consultar e pagar, de forma unificada, os débitos registrados nas quatro concessionárias. Nesta quinta-feira (8), esse número aumentou para cinco, com a integração da Rota Verde de Goiás, que é administrada por um consórcio da FIP Azevedo & Travassos e TecPav.
Assim, o projeto ultrapassou a marca de um milhão de placas integradas ao sistema. Sem necessidade de cadastro prévio, o usuário pode pagar seus débitos com PIX, cartão de crédito e cartão de débito. “Eu diria que nós fomos inovadores capitaneando isso”, disse à Agência iNFRA o CEO da Nova Rodovias, Marcelo Stachow.
“A interoperabilidade não significa perda de governança institucional. Construímos um modelo onde apenas a placa do veículo transita entre grupos econômicos distintos, sendo cada concessionária dona e controladora dos dados que gera, sem cessão, replicação em massa ou compartilhamento indiscriminado com terceiros”, afirmou o executivo de Tecnologia da Nova Rodovias e líder do projeto, Moisés Sathler.
Segundo a operadora, outras empresas do setor rodoviário que operam free flow manifestaram interesse formal e estão em processo de assinatura do termo de adesão. Se isso se concretizar, a rede de interoperabilidade poderá chegar a cerca de três milhões de veículos.
“O sistema do free flow é inexorável. Do ponto de vista de velocidade, ambiental, de comodidade para o usuário. Além de o pedágio físico ser um foco de acidente”, disse Stachow sobre a tecnologia. Para ele, apesar de o sistema estar funcionando bem, persistem focos de atenção, como a própria faixa de inadimplência, que ainda precisa baixar, e as acomodações do mundo político sobre a tecnologia em razão da quantidade de multas que o grau de não pagamentos gera.
As duas concessões sob gestão da Nova Rodovias foram as primeiras federais a operarem com 100% de free flow no país. Elas concentram cerca de 20% das operações do pedágio sem cancelas no Brasil atualmente – o número tende a baixar, já que outras concessionárias vão começar a operar pórticos.
Preparação para novos projetos
Formada pelo grupo Opportunity e a 4UM Investimentos – que reúne as construtoras JMalucelli, Carioca Engenharia, Aterpa e Senpar –, a Nova Rodovias tem interesse em somar ao seu portfólio novas concessões similares às da Nova 381 e Nova 364, bastante intensivas em Capex.
Segundo Stachow, um dos projetos estudados é o da Rota Agro Central, que abrange trechos das BRs 070, 174 e 364, no Mato Grosso e em Rondônia, e tem grande sinergia com as operações que já são da Nova Rodovias. Lá, o investimento previsto soma R$ 5,9 bilhões, com leilão marcado para 17 de dezembro.





