05/01/2026 | 11h00  •  Atualização: 07/01/2026 | 11h02

‘Ordenamento dos cortes de geração dará previsibilidade’, dizem agentes

Foto: Domínio Público

Lais Carregosa e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

Além da expectativa pela regulamentação do ressarcimento dos cortes de geração de energia, o setor elétrico também aguarda para este ano a conclusão pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) da CP (Consulta Pública) 45/2019, que trata do ordenamento dos cortes (curtailment). Embora o processo não aborde a compensação, é considerado fundamental pelos agentes para uma maior previsibilidade de quando serão cortados. 

A ANEEL informou à Agência iNFRA que está terminando a reavaliação dos impactos da Lei 15.269/2025 na consulta pública e que haverá instrução no processo ainda neste mês. 

“A regulamentação da Lei 15.269 referente à compensação financeira relativa aos cortes de geração vai além do escopo da Consulta Pública 45/2019. Dessa forma, já consta, na Agenda Regulatória da ANEEL, atividade aprovada pela diretoria da agência que terá início de instrução neste mês”, disse a reguladora em nota.

A proposta da área técnica da reguladora, formulada antes da aprovação da lei no Congresso, tem dividido o setor, ao criar grupos para o ordenamento dos cortes e o rateio contábil. A proposta inclui, por exemplo, hidrelétricas, eólicas e solares no mesmo grupo. 

“Preocupa misturarem banana com laranja nos grupos para qual vai ser cortado primeiro”, disse Elbia Gannoum, da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias). Ela defende que a solar de grande porte e a eólica têm naturezas idênticas e poderiam ficar juntas, mas que as usinas hídricas têm “características distintas e deveriam ficar separadas”.

No segmento hidrelétrico, a Abrage (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica) disse defender que o ordenamento físico de cortes “deixe de priorizar a redução da geração hidrelétrica e estabeleça um rateio econômico justo”. 

A entidade defendeu que sejam incluídas no curtailment a MMGD (Micro e Minigeração Distribuída) e usinas conectadas na distribuição (Tipo 3), além do aprimoramento da programação da operação, com instrumentos como a antecipação de exportações para mitigar o curtailment hídrico.

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