Marisa Wanzeller e Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta sexta-feira (15) que pretende estabelecer poços produtores no bloco de Aram, da Bacia de Santos, até 2030.
“A grande novidade para o estado de São Paulo é a nossa intenção de iniciar o desenvolvimento de uma descoberta, que ainda não tem nome, mas nós chamamos de campo de Aram. Minha encomenda para a equipe é ter de cara, pelo menos, um ou dois poços produtores até 2030 nessa nova descoberta do pré-sal”, disse Magda. Ela falou a jornalistas, em entrevista coletiva para divulgar perspectivas de investimentos em São Paulo.
Segundo Magda, a Petrobras planeja investir R$ 37 bilhões no estado até 2030, sendo R$ 9 bilhões destinados à frente de E&P (exploração e produção). Além do desenvolvimento de Aram, esse montante também vai contemplar atividades de recuperação secundária, injeção de água em poços e perfuração de mais poços produtores em Sapinhoá e Mexilhão.
Executivos da Petrobras que acompanhavam Magda disseram que ainda é difícil cravar um volume de investimentos para o projeto, mas disseram que as concepções consideradas até o momento deixam claro que será “difícil fugir” de um novo (FPSO) navio-plataforma dedicado à área.
Eles detalharam que a Petrobras já fez cinco perfurações exploratórias na área, a sudoeste de campos já em produção na Bacia de Santos. O plano exploratório da ANP para o ativo envolvia um total de quatro intervenções desse tipo até o fim de 2027, de modo que sua superação atesta o interesse da estatal na área.
Esses executivos definiram a área como “muito promissora” e disseram terem sido identificadas “algumas acumulações” que agora estão em fase de avaliação exploratória. Em seguida, como de praxe, a companhia vai estabelecer uma estratégia de desenvolvimento da produção, o que vai indicar a declaração ou não de comercialidade.
A mais recente descoberta de petróleo no bloco de Aram foi anunciada ao mercado há um ano e vem sendo encarada por geólogos como de grande potencial. Os especialistas falam que esse campo pode chegar a ser o terceiro ou até o primeiro campo de petróleo em volume de produção do país, superando Búzios, atual joia da coroa da estatal.
A ANP estima que Aram tenha 29 bilhões de barris de petróleo in place não riscado (não confirmado), um volume considerado alto. Em geral é produzido cerca de 20% a 30% desse volume ao longo da vida útil do campo.
O bloco foi adquirido pelo consórcio liderado pela Petrobras (80%) junto à chinesa CNODC (20%) na 6ª rodada de licitação da ANP sob o regime de partilha. As empresas levaram o bloco propondo 29,96% de excedente em óleo à União e pagando os R$ 5,05 bilhões de bônus fixo na assinatura do contrato.





