Marisa Wanzeller, Lais Carregosa e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

A saída de Arthur Valério da Secretaria-Executiva do MME (Ministério de Minas e Energia), anunciada nesta segunda-feira (2), alterou os cenários previstos para o futuro da pasta em meio à corrida eleitoral. O advogado era um dos nomes mais cotados para assumir o ministério caso o ministro Alexandre Silveira deixe o cargo para concorrer a algum cargo eletivo.
Ainda em 2025, Valério havia sinalizado que gostaria de migrar para a iniciativa privada, mas adiou os planos a pedido do ministro. Agora, sua exoneração está prevista ainda para esta semana. O secretário-executivo adjunto da pasta, Fernando Colli, pode ocupar a cadeira de forma interina. Outra possibilidade é que o secretário de Transição Energética e Planejamento, Gustavo Ataíde, preencha a vaga.
No entanto, a vacância despertou interesse de nomes que enxergam na Secretaria-Executiva a chance de migrar para a cadeira de ministro posteriormente, como de praxe no último ano dos governos anteriores.
O diretor Financeiro de Itaipu, André Pepitone, é um dos cotados para a posição, apesar dos indicativos de que enfrentaria resistência por parte de Silveira. Também passou a ser ventilado, com menos força, o nome do ex-secretário-executivo do MME Efrain Cruz.
Também corre nos bastidores o nome do diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e ex-secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da pasta, Pietro Mendes. No entanto, para assumir a posição, o diretor precisaria abrir mão do seu mandato na reguladora, que teve início no ano passado, avaliam especialistas.
Outro nome que circulou como possibilidade para o MME, o do secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, Bruno Moretti, agora vem sendo mais apontado para comandar o MPO (Ministério do Planejamento e Orçamento), avaliam fontes, uma vez que a ministra Simone Tebet também deve sair da cadeira para concorrer nas eleições de 2026.
Tendência
Apesar das especulações sobre substitutos, ainda não há uma decisão de Silveira em deixar o ministério. Se por um lado o destino do ministro está nas mãos do presidente Lula, que deve decidir qual rumo o aliado seguirá, por outro é apontado nos bastidores que a tendência é que o mineiro de fato deixe a pasta para disputar as eleições.
Uma conversa entre Lula e Silveira ainda é aguardada para decidir o futuro do ministro. As possibilidades vão desde disputar as eleições em Minas Gerais – possivelmente para o Senado –, participar da campanha para a reeleição de Lula em um posto de coordenação ou continuar na Esplanada dos Ministérios.
Segundo fontes, a inclinação pessoal do ministro seria disputar a eleição, por uma avaliação de que seria ruim para ele ficar sem um mandato garantido ou fora de um palanque neste ano. No entanto, há duas questões ainda em aberto. A primeira seria o partido pelo qual disputar, uma vez que o PSD vai apoiar a oposição ao governo Lula em Minas Gerais.
A outra é a definição de qual posto concorrer, o que também passa pela avaliação do presidente da República. Apesar da preferência pela disputa ao Senado, trata-se de uma eleição mais difícil e envolveria uma troca de legenda, em função das alianças para a chapa ao governo em Minas Gerais. Já a possibilidade de Silveira concorrer a deputado federal é considerada mais remota.





