12/08/2026 | 12h43  •  Atualização: 12/08/2026 | 12h48

Governo poderia assumir mais recurso financeiro em concessões, diz EY

Foto: Domínio Público

Beatriz Kawai, da Agência iNFRA

O governo federal poderia assumir mais responsabilidade financeira em projetos de PPP (Parceria Público-Privada) de infraestrutura, que deveria ser a prioridade do plano governamental, na avaliação de gestores, investidores e especialistas do setor. Os dados são do Barômetro da Infraestrutura Brasileira, estudo elaborado pela EY-Parthenon e pela Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e das Indústria de Base”.

Para o sócio da EY para Governo e Infraestrutura, Gustavo Gusmão, a esfera federal poderia absover mais as demandas financeiras, para além da Caixa Econômica e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas destaca que o compromisso de longo prazo da União, em contratos que costumam durar décadas, podem ser o impedimento. “Talvez seja um peso, uma restrição fiscal que o Estado não queira absorver essa obrigação”, disse.

Responsabilidade estadual e municipal
Segundo a pesquisa, a leitura do mercado é de que a esfera estadual continua como a principal referência na atuação e estruturação de investimentos privados por meio de concessões de PPPs. Já os municípios permanecem como principal gargalos federativos: 74% dos respondentes do estudo enxergam esse potencial pouco ou nada aproveitado.

A leitura da segurança jurídica indica um ambiente percebido como “relativamente estável” para investimentos em concessões e PPPs, “embora ainda distante de uma visão amplamente positiva sobre a segurança jurídica do setor”.

O otimismo em relação ao atual cenário para promoção de investimentos em infraestrutura caiu de 54,2% para 37,8% nos primeiros seis meses de 2025, contra o último semestre do ano passado. A desaceleração surge num momento de mercado mais cauteloso, marcado pela expectativa de continução dos investimentos, contudo com uma convicção menor quanto às condições de promoção de novos projetos no curto prazo, explica Gusmão.

“Uma somatória de fatores pode representar essa cautela, como as eleições, os efeitos decorrentes da guerra no Oriente Médio, inflação, juros, preço do petróleo e da logística, além de protecionismo comercial e Reforma Tributária”, pontua. “Mas vale reforçar também que tivemos um 2025 bastante expressivo para o setor, com uma quantidade relevante de concessões e investimentos.”

Eleições
Outro fator que influenciou os resultados foi a expectativa em relação ao ciclo eleitoral, continua Gusmão. Das respostas, 54% acredita que a manutenção do atual governo não irá alterar o nível de investimentos privados.

“Há uma percepção de um maior otimismo em relação ao crescimento dos níveis atuais de investimento e infraestrutura no cenário de um governo opositor ganhar as eleições”, complementa.

Em 2025, os investimentos chegaram num patamar de R$ 280,4 bilhões, um recorde da série histórica iniciada em 2010, com destaque para o setor privado, conforme a EY, ao responder por 80% do volume.

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