19/03/2026 | 11h00  •  Atualização: 19/03/2026 | 11h05

LRCAP: Eneva, Petrobras e Âmbar despontam como principais vencedoras

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Marisa Wanzeller, Lais Carregosa e Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

O LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) contratou aproximadamente 19 GW (gigawatts) de potência no certame de quarta-feira (18). Eneva, Petrobras e Âmbar Energia, do grupo J&F, despontaram como as grandes vencedoras do certame. Juntas, as empresas somam cerca de 9 GW de potência no leilão. Além delas, os turcos da KPS, Engie, Copel e SPIC também foram contratados.

Os agentes ainda contam com a segunda fase do leilão, na sexta-feira (20), que contratará térmicas a diesel, biodiesel e óleo combustível para alcançar a demanda projetada, de mais de 20 GW. João Carlos Mello, CEO da Thymos Energia, analisa positivamente os resultados do primeiro dia de certame e disse à Agência iNFRA que espera uma contratação de cerca de 3 GW na segunda fase.

Certame “exitoso”
O governo comemorou o resultado do LRCAP e o classificou como “exitoso”, embora o deságio médio alcançado seja de 5,5%. À imprensa, o secretário-executivo do MME (Ministério de Minas e Energia), Gustavo Ataíde, disse que o “preço revelado” no certame tem relação com a conjuntura geopolítica.

“[O leilão] é o melhor mecanismo que nós temos para revelar preço e o preço revelado mostra que de fato nós estamos numa conjuntura em que nós temos preços internacionais pressionados, diversos riscos do ponto de vista geopolítico, uma cadeia logística para a aquisição de equipamentos muito pressionada e isso obviamente tem impactos nas contratações quando a gente está olhando para os próximos anos”, disse.

Termelétricas
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o certame dará segurança energética “para a próxima década”. Segundo ele, esse deve ser o último leilão a contratar usinas de fontes não renováveis. “Eu sou daqueles que, confiante na transição energética que o Brasil lidera no mundo, compreendo que esse talvez seja o último leilão de térmicas de energias não renováveis ou energias limpas”, disse o ministro. 

No leilão de quarta (18), as térmicas a gás natural e a carvão, como um todo, representaram a maior parte da potência contratada, cerca de 16,5 GW. Já as hidrelétricas, que são fontes renováveis, somaram 2,5 GW, distribuídos entre Copel, SPIC, Engie e Axia (ex-Eletrobras).

O secretário Gustavo Ataíde destacou que o leilão permitiu a substituição dos contratos do parque termelétrico existente do ambiente regulado para o regime de reserva de capacidade – custeado tanto pelos consumidores regulados quanto pelos livres.

“Estamos fazendo uma recontratação do parque antigo, [que era] ineficiente e contratando um parque mais eficiente, ainda que existente. E também [fizemos] uma nova contratação de termelétricas que também são mais eficientes quando comparadas às que existem no sistema hoje. Mas [a contratação das novas usinas] está muito associada ao crescimento do mercado também”, disse. Com isso, o governo estima uma economia de 24% aos consumidores. 

Hidrelétricas
Embora satisfeito com o leilão, o CEO da Thymos destacou que esperava uma participação maior das hidrelétricas. Sua projeção era de 4 GW, ante os 2,5 efetivamente contratados. No entendimento do executivo, “engenharia e orçamentos maiores que o esperado” podem ter prejudicado os agentes hidrelétricos. 

Por outro lado, a Abrage (Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica) comemorou o resultado e disse, em nota, que o LRCAP é uma “resposta necessária” aos desafios atuais da operação do sistema. “O leilão de hoje prova que o Brasil compreendeu que segurança energética não se faz apenas com volume de energia, mas com potência disponível no instante em que o consumidor precisa”, disse a presidente da associação, Marisete Pereira.

Com um empreendimento contratado e investimento previsto em R$ 1 bilhão, a Axia destacou em nota que a ampliação da hidrelétrica Luiz Gonzaga [UHE] representa “uma pequena parcela dos projetos de expansão hidrelétrica” em seu portfólio. “Diante da crescente demanda por potência no país, entendemos que as hidrelétricas são as soluções mais adequadas do ponto de vista técnico e econômico”, escreveu Elio Wolff, vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios.

Baterias
À imprensa, o secretário-executivo do MME destacou ainda que o governo “fez questão” de planejar o leilão desta quarta de forma a não prejudicar a futura contratação de baterias, em um horizonte próximo. A afirmação responde aos anseios do segmento que espera um certame próprio para atender parte da demanda do setor elétrico. Havia o receio de que toda a potência necessária fosse destinada às térmicas e hidrelétricas, desconsiderando os sistemas de armazenamento. 

“É um tema muito caro aqui ao ministro Alexandre [Silveira], ele sempre tem oportunidade de falar dele, já prometeu para o próximo mês a celebração desse leilão, que a gente possa publicar esse leilão, e ele está dentro do nosso horizonte. A gente fez questão de não prejudicar a contratação das baterias que têm e terão um papel fundamental aqui no nosso sistema”, afirmou.

Números
Apesar do deságio médio abaixo do esperado, a última rodada do certame, que negociou potência para 2031, teve o maior deságio, alcançando 13,6%. Segundo a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia), o leilão contratou R$ 64,5 bilhões em investimentos em usinas térmicas e hidrelétricas, e o preço médio de contratação foi de R$ 2,33 milhões/MW.ano (megawatt.ano).

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