09/07/2026 | 14h06  •  Atualização: 09/07/2026 | 15h32

Durigan diz que vai reavaliar corte de subvenção à gasolina na próxima semana

Foto: Washington Costa/Ministério da Fazenda

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O ministro da Fazenda Dario Durigan admitiu, nesta quinta-feira (9), que foi adiado o fim da subvenção a produtores e importadores de gasolina (R$ 0,44 por litro) pensado para esta semana. Segundo o ministro, porém, a intenção da pasta segue sendo desmamar o benefício ao setor e que uma nova análise a este respeito será feita na semana que vem. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele voltou a falar em “cautela” nas ações do governo.

“De fato, ontem, o barril de petróleo voltou a subir pra US$ 80. E aí temos que adotar, com cautela, a retirada de subsídio. A gente tirou do diesel e essa semana eu iria anunciar a retirada da [subvenção da] gasolina. Mas vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que prevíamos”, disse Durigan.

“Na semana que vem, a depender da situação, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial, seja totalmente, como próximo passo”, reiterou.

Ficam mantidos, portanto, os subsídios à gasolina, diesel e demais combustíveis, em resposta à volta das agressões entre Estados Unidos e Irã nesta semana, que acentuou o estresse ao fluxo de óleo bruto no Golfo Pérsico, acarretando alta de preços que levou o preço do Brent para setembro a se reaproximar do patamar dos US$ 80, quando parecia estabilizado próximo aos US$ 70 no início do mês.

Esse panorama foi reiterado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que falou na manutenção do subsídio à gasolina por “mais algum tempo”, ainda que exista um compromisso do governo em encerrar a medida. Motta sofre pressão do setor de biocombustíveis, que viu o etanol hidratado ficar menos competitivo nas bombas em função do benefício à gasolina, sua concorrente.

Na entrevista, Dario Durigan voltou a assinalar a importância de “agir prontamente”, tanto na concessão quanto na retirada dos subsídios para evitar variações bruscas de preços na ponta, ao consumidor final, ou que levem a perturbações como “greves de caminhoneiros, problemas no escoamento da safra agrícola e alterações nos preços dos alimentos”.

Incerteza constante
Durigan disse que, ainda no início da greve, em março, se reuniu com ministros da Fazenda de países do Oriente Médio, colhendo relatos de que, para além das questões envolvendo interesses norte-americanos, há questões locais envolvendo Irã e Israel que são de “difícil acomodação a curto prazo”. Segundo o ministro, essa noção de “incerteza permanente”, assim como suas consequências, a exemplo da guinada recente, estariam no radar do governo.

“O que soubemos e informamos ao presidente Lula é que nós temos uma situação de incerteza permanente na guerra. Ainda que se fale em cessar-fogo, abertura de negociações ou fim de negociações, o ambiente é de incerteza. E o que o governo brasileiro adotou como premissa é que não vamos demorar para tomar providências”, disse.

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