09/07/2026 | 14h52

Reviravolta na guerra adiou CNPE, mas E32 está mantido, diz Fazenda

Foto: Washington Costa/Ministério da Fazenda

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira (9), que a reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) adiada pela quarta vez não aconteceu por conta da reviravolta na guerra no Oriente Médio. Segundo Durigan, esse último adiamento, que veio nas últimas horas da noite de véspera da reunião que seria na última quarta-feira (8), não vai afetar a decisão do governo de aumentar o teor de etanol anidro na mistura da gasolina de 30% para 32%, o chamado E32.

Durigan reiterou que o mandato ampliado do etanol será uma realidade “nos próximos dias”. “A reunião foi suspensa ontem [dia 8] em razão da guerra. Como a gente estava com mudanças nos indicadores antes do início da reunião, vamos aguardar para fazer e ver se tem alguma outra medida que a gente está estudando e que seria necessária no CNPE. Isso não afeta a decisão do E32”, disse o ministro em entrevista à Rádio Gaúcha.

A reunião do CNPE teria sido remarcada para a próxima terça-feira (14), disse também na manhã desta quinta-feira o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Demanda firme e E32
“Nós vamos garantir demanda firme”, disse Durigan sobre biocombustíveis em geral, o que inclui não só etanol, mas biodiesel e SAF (combustível de aviação sustentável, na sigla em inglês).

Durigan fez a afirmação ao endossar a aplicação da Lei do Combustível do Futuro, que prevê aumento da participação de combustíveis limpos em detrimento daqueles de origem fóssil.

“Então produzam [biocombustíveis], façam os investimentos necessários, porque vai haver consumo. O presidente Lula já anunciou que vamos ter um aumento em especial do etanol na gasolina. Vamos sair do patamar de 30 para 32, o que é muito maior que no resto do mundo. Então o E32 vem aí e vai ser uma realidade nos próximos dias”, continuou.

Biodiesel
Perguntado sobre o aumento do mandato do biodiesel no diesel B de 15% para 16%, medida adiada para estudos, Durigan disse não poder dar uma previsão, mas defendeu que aconteça ainda em 2026. O MME (Ministério de Minas e Energia) prepara um programa de testes para a nova mistura. Isso contraria produtores de biodiesel, que consideram a segurança do novo teor um debate superado.

“Não tenho essa informação [sobre B16] para dar. Do ponto de vista da equipe econômica, da orientação que tenho dado, sim, a gente quer ter aumento do biodiesel no diesel também neste ano”, disse o ministro da Fazenda.

“O que eu pedi ao MME é que desse segurança na parte técnica. Os motores estão preparados? A cadeia produtiva está pronta? Porque aí não é uma questão econômica, mas uma questão mais operacional e de garantia que os veículos que rodam com diesel estariam em condições”, disse.

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