Beatriz Kawai, da Agência iNFRA
O setor de saneamento precisa “colocar o dedo da ferida” para resolver problemas estruturantes. Este é o entendimento da secretária da Semil SP (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo), Natália Resende, que participou nesta segunda-feira (14) do evento Seminário Brasil Hoje, organizado pela Esfera Brasil.
De acordo com a secretária, braço direito do governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), as soluções de problemas históricos devem ser sustentadas por governança fortalecida e regulação bem estabelecida. “Por mais que doa, precisamos olhar as redes envelhecidas. Por mais que atrapalhe o trânsito e atrapalhe a vida das pessoas”, disse Resende.
Outro tema abordado no mesmo painel, que discutiu os avanços do saneamento rumo ao cumprimento das metas de universalização, foi levantado pela diretora da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) Larissa Rêgo. A diretora chamou atenção para a necessidade de o setor priorizar políticas de reúso de água. O assunto vem sido discutido na agência reguladora em duas CPs (Consultas Públicas) entre 2025 e 2026.
Também integraram o painel o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Márcio Leão Coelho, e o ex-prefeito de Santos (SP) e assessor de Relações Institucionais e Governamentais da Sabesp, João Paulo Papa.
Debêntures incentivadas
Já em outro painel, o presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves, criticou a abundância de títulos de dívida isentos de tributação – como as debêntures incentivadas – para financiamento de projetos de infraestrutura de larga escala. “O volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo. Eu sou detentor de títulos e emito [enquanto chairman do BTG], mas isso está errado”, disse em entrevista com a CEO da Esfera Brasil, Camila Camargo Dantas.
Desenvolvimento urbano
Já o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, destacou em sua fala o ENMU (Estudo Nacional de Mobilidade Urbana), de autoria da autarquia. Trata-se de um mapa de 187 projetos de mobilidade urbana para expandir e qualificar o transporte público coletivo em 21 regiões metropolitanas. A estimativa do banco é da necessidade de R$ 430 bilhões de investimentos ao longo de 30 anos, como mostrou a Agência iNFRA.
“O caminho está dado. Agora, nós vamos atrás dos projetos para viabilizar investimento em transporte de massa de grande escala”, disse Mercadante.
O evento também contou com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra de Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa.
Participaram ainda o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, os candidatos ao Senado por São Paulo Ricardo Salles e Guilherme Derrite, e o marqueteiro Sergio Lima, que atua na campanha do candidato à Presidência Augusto Cury (Avante). Para representar o candidato Flávio Bolsonaro (PL), marcaram presença Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia.







